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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Capítulo 38

Estava numa sorveteria com meu pai rindo com uma taça de sorvete de todos os tipos de chocolates existentes no local na minha frente.
- Nossa, achei que era o único que gostava só de sorvete de chocolate – John comentou rindo.
-Ah eu amo, não gosto – eu disse rindo.
- Percebe-se... – Ele disse e ficou calado, sua feição era pensativa e triste.
- O que foi? – Procurei não gostando de o ver naquele estado.
- Eu perdi tanto tempo, poderia ter passado muitas coisas ao seu lado... – Ele disse me olhando e rindo sem achar graça alguma. – Mas eu sou um burro e tinha medo de te ver.
- Que isso pai, não fala isso, esquece o passado, você não é burro – eu disse pegando na mão dele e acariciando.
- É o melhor que eu posso fazer – ele disse sorrindo de lado para mim.
- Sim, agora quero que você se anime de novo – eu disse sorrindo para ele e ele levou minha mão até seus lábios e beijou-a.
- Tudo bem, minha princesa – ele sorriu ao dizer isso e eu fiquei envergonhada. – Eu sempre quis dizer isso à você. Minha princesa!
Não sei o que aconteceu, eu só conseguia sorrir e repentinamente uma lagrima caiu de meus olhos.
- Você está chorando? – Perguntou ele limpando a lágrima fujona.
- Sim, mas é de felicidade, é tão bom estar aqui... Com você... Com meu pai – eu enfatizei a palavra pai.
- Seu pai? – Ouvi uma voz atrás de mim. – Mas você odeia seu pai... Não odeia?
Me virei lentamente para encarar a pessoa que estava atrás de mim e que meu pai encarava também.
- Não odeio mais – eu disse sorrindo para o meu pai. – Mas o que você faz aqui Thiago?
- Eu vim tomar sorvete e te vi aqui – ele deu de ombros. – Fiquei sabendo da Paola, ela está pirada...
- Pirada é pouco, tem que internar ela – eu disse dando de ombros.
- Não quer se sentar? – Perguntou meu pai a Thiago que sorriu e aceitou, sentando-se em seguida.
- Então, quem é teu amigo Susan? – Meu pai sorriu ao me perguntar.
- Ah é... – Eu ri envergonhada pela falta de educação de não apresentá-los. – Pai, esse é o Thiago, Thiago, esse é meu pai John Winchester.
- Prazer Thiago! – Meu pai estendeu a mão para ele que apertou respondendo um “O prazer é todo meu”.
“Merda, o que ele faz aqui? Cara, se alguém me vê nessa sorveteria e me dedar para o Dougie eu vou ter que me explicar muito”. Estava temerosa, eu iria apenas tomar um sorvete com meu pai e depois ir para casa, mas a com a chegada de Thiago isso iria complicar um pouco.
Ficamos alguns minutos conversando e o celular do meu pai apitou, era o alarme, era hora dele ir para o aeroporto.
- Susan, está na hora de ir, vamos? – Ele disse se levantando, eu ia me levantar também quando Thiago pegou na minha mão e eu gelei.
- Fica aqui, eu te levo para casa, claro, se o senhor deixar – ele sorriu para mim e para John, eu olhei para meu pai com um olhar suplicante de que ele me tirasse dessa. “Por favor John, diga que tem que me deixar em casa, diga que tem que me deixar em casa, diga que tem que me deixar em casa...” Fiquei repetindo isso mentalmente.
-Claro, se ela quiser – meu pai concordou sorridente, meu coração parou e depois eu senti o sangue queimar nas minhas veias de tão rápido que ele bateu em seguida.
- Ahn... T-t-udo bem então... – Gaguejei sem graça, mas forçando um sorriso.
- Então levanta e dá um beijo em seu pai que agora ele vai para o aeroporto pegar um avião para poder resolver tudo para morar aqui para sempre – eu sorri e levantei para abraçá-lo.
- Obrigada Pai – eu disse no pé do ouvido dele, mas ao mesmo tempo eu queria bater nele por me deixar ali. 
- Pelo que? – Ele perguntou ainda abraçado a mim.
- Por não me odiar, por não ter desistido de mim quando eu te tratava como um estranho – eu mordi o lábio inferior.
- Obrigada você por me aceitar – ele disse e eu sorri. – Ah, e como está o Dougie?
- Ele volta para a escola semana que vem – eu disse sorrindo e me afastando dele, desfazendo o abraço.
- Mande lembranças para ele – disse sorrindo.
- Até mais ver rapaz! – Meu pai disse estendendo a mão para Thiago, esse que levantou e apertou firmemente a mão do mais velho.
- Até mais – Thiago disse sorrindo.
Nisso meu pai saiu e me deixou ali desesperada, pois a medida que ele se afastava meu coração aumentada a velocidade.
- Seu pai é legal – Thiago disse quando meu pai ligou o carro e partiu acenando.
- Sim, ele é... – eu disse encarando o carro até ele sumir.
- Sabe, acho que nunca conversei direito com você depois daquela festa... – Ele disse sorrindo para mim.
- É – eu respondi, o que eu falaria?
- Então, animada com a saída do Dougie do hospital? – Ele perguntou de novo.
- Sim, não agüentava mais ter que vê-lo naquele lugar – respondi algo concreto agora.
- Ele tem sorte – Thiago disse enquanto tomava um gole do seu suco que havia acabado de chegar.
- Porque? – Fiquei confusa.
- Por ter você cuidando tão bem dele – ele deu de ombros. Eu nunca sei o que falar quando ficam mandando essas indiretas para mim, fiquei sem fala.
- Você deveria achar alguém assim para você – eu tentei mudar o foco da conversa para ele.
- Na verdade é difícil achar alguém quando você não consegue olhar para os lados – ele agora me encarava, seus olhos estavam fixados aos meus, eu abaixei os meus para as minhas unhas que ficaram interessantes naquele momento.
- Não olha porque não quer, tem um monte de garotas que gostariam de uma chance – eu disse e olhei para uma garota que passava e o encarava, ele olhou para ela e em menos de um segundo me olhava novamente.
- Mas a que eu quero dar a chance não deseja isso – ele disse e eu perdi literalmente o ar. Me levantei da cadeira de supetão.
- Acho melhor eu ir, minha mãe deve ter chegado em casa já – eu disse enquanto colocava o casaco. – Até mais Thiago! – Eu disse e quando fui dar um beijinho de despedida no rosto dele ele negou.
- Eu te levo, vamos – ele se levantou e pegou seu casaco o vestindo.
- Tudo bem – eu disse. “Seria mais seguro eu ir a pé, merda”
- Susan, o que exatamente a Paola fez? – Perguntou ele quando já estávamos dentro do carro.
- Ela não te contou? – Perguntei irônica.
- Não, ela é uma idiota – ele respondeu amargo.
- Bom, ela estava no quarto quando Dougie acordou e disse ser a namorada dele, ou seja, eu, daí ela ficou falando que eu era Paola e ela era Susan, ela até ficou beijando ele – trinquei por dentro ao lembrar essa parte.
- Mas como Dougie descobriu a verdade? – Perguntou ele.
- O Harry estava com ela no quarto quando ele acordou e ficou desmentindo ela, embora ela estivesse insistindo em mentir – dei de ombros.
- Nossa, que horror, ela não pode ser da minha família – Thiago se lamentou.
- Infelizmente não escolhemos nossos parentes – eu dei um sorriso amarelo para ele.
- É, infelizmente – ele concordou, sorrindo galanteador quando ele parou na frente da minha casa nova, que por sinal fica no bairro dele. – Chegamos!
- Como sabia onde eu moro agora? – Perguntei curiosa.
- Segredo de estado – ele respondeu e eu ri.
- Ok senhor segredo, obrigada pela carona – eu ia abrindo a porta do carro quando ele segurou minha mão esquerda.
- Não ganho nem um beijo de despedida? – Perguntou fazendo bico e eu ri sem graça.
- Ganha – respondi me aproximando dele para dar um beijo na bochecha, mas ele se virou e acabou que eu beijei o lado da sua boca. Me afastei rápido e olhei assustada para ele. – O que foi isso?
- Não resisti, me perdoa – ele disse arrependido.
- Só não faça isso novamente! – O adverti saindo do carro rápido antes que ele tentasse mais coisas.

Capítulo 37

- Calma Dougie – Tom disse olhando para a pessoa que tinha acabado de entrar e todos no quarto se levantaram automaticamente e se puseram ao meu lado na cama.
- Nossa, que recepção calorosa – Paola disse sorridente. – Vejo que está melhor.
- Sai daqui sua doida – eu falei cada palavra pausadamente.
- Porque meu amor? Antes de você sair da minha casa e sofrer esse acidente você estava convicto de terminar com essa sem sal e ficar comigo...
- Você está louca, ele estava saindo da MINHA casa quando ele sofreu esse acidente – Susan pronunciou alterada, ficou um silêncio no ar, pois, depois da declaração de Paola eu fiquei pensativo porque eu finalmente caí em mim e lembrei de que eu realmente estava saindo da casa dela, lembro que ela me ligou e pediu que eu fosse na casa dela ajudar com o quintal, eu achei muito estranho mas fui, quando cheguei lá ajudei ela a colocar a sujeira nos sacos de lixo e levar para fora, ela me ofereceu um suco e algumas bolachas e eu aceitei, mas quando eu estava me despedindo dela, ela me deu um selinho, eu chamei ela de doida e saí meio atordoado e por isso fui atropelado.
- Será que vocês poderiam sair do quarto? – Pedi depois de alguns segundos, Susan me olhava estranho, acho que ela percebeu porque eu fiquei quieto depois do que Paola disse, com certeza ela acreditou na garota, eu precisava falar com ela. Todos saíram, Paola resistiu, queria ficar, mas Lara a puxou pela roupa, Paola só não deu um piti porque passou uma enfermeira na porta do meu quarto e brigou com elas, Susan ia saindo também.
- Não, espera, preciso falar com você – Susan parou onde estava e virou lentamente, seu olhar estava triste e eu juro ter visto lágrimas se formando nos olhos dela.
- Dougie, porque você ficou quieto quando ela disse aquilo? Sabia que para mim quem caça consente? – Agora as lágrimas no rosto dela já estavam rolando, não muitas pois ela as seguravam, mas eu senti um nó na garganta.
- É por isso que preciso falar com você – ela ficou no mesmo lugar, não moveu um centímetro, apenas cruzou os braços.
- Pode falar, vai terminar comigo para ficar com ela, aquilo que você disse quando acordou era uma mentira, já sei, eu já sei, não quero ouvir de você, vai doer mais – Ela tentava não chorar, mas era impossível.
- NÃO, Susan, deixa eu explicar, por favor, não vou terminar com você, eu te amo – quando eu disse essas palavras ela fechou os olhos e respirou fundo e começou a chorar e soluçar. – Senta aqui, por favor, vamos conversar, eu vou te falar como foi o acidente, eu fiquei quieto porque eu estava lembrando...
Ela veio até a cadeira do meu lado e puxou-a um pouco para trás, se sentando em seguida.
- Foi assim, depois que eu saí da tua casa, Paola me ligou, pediu para mim ir na sua casa ajudá-la a terminar de limpar o quintal, eu fui, achei muito estranho, mas fui, ela disse que Thiago no atendia o celular e ela não tinha dos outros meninos, então depois de terminado o trabalho ela me ofereceu um lanchinho e eu aceitei e... – Parei nessa parte e respirei fundo enquanto Susan ouvia tudo em silencio, ela já tinha parado de chorar. – Quando eu fui me despedir dela ela me roubou um selinho, mas eu me afastei dela a chamei de doida e saí andando atordoado, foi por isso que não vi o carro saindo da garagem...
- Ela te beijou? – Parece que foi a única coisa que ela absorveu da história.
- Foi, mas eu nunca mais quero chegar perto dessa maluca – eu acrescentei rapidamente.
- Dougie, porque ela tinha seu número de telefone? Porque você foi ajudá-la? Você não estaria aqui se não tivesse ido... – Ela falava com um voz de choro.
- Primeiro... – eu disse puxando a cadeira de Susan mais para perto de mim com toda a força que eu não tinha e peguei na sua mão. – Eu não dei meu número para ela e não sei como conseguiu, segundo, eu não consigo não ajudar as pessoas, me sentiria horrível mais tarde, por isso eu fui, mas quebrei a cara...
- E a cabeça... – Susan já brincava comigo, os dois rimos. – Mas porque ela falou que você iria me deixar?
Ela voltou a tocar no assunto e a ficar séria.
- Porque ela é louca – depositei um beijo na mãe de Susan e a puxei para mim, ela se levantou e ficou com o rosto bem próximo ao meu. – Olha, esquece essa garota, quero distância dela...
Susan sorriu comigo e logo nos beijamos.

OFF Dougie’s POV’s


Abri a porta da casa do Dougie e os garotos ajudavam-no a subir as escadas, ele recebeu alta dos médicos para ir para casa, tinha recuperado toda a memória e todos estavam alertados sobre Paola, ela não fazia mais parte do nosso grupo, se bem que eu acho que nunca fez, ela é muito diferente.
- Em casa finalmente! – Dougie disse enquanto os guys os ajudava a sentar no sofá. – Gente, eu estou bem, só fiquei tonto ao sair do carro, vocês parecem bichinhas querendo pegar em um macho!
Todos na sala riram, Dougie, o nosso Dougie palhacento de sempre havia voltado.
- Ai amor, você me descobriu, agora deixa eu te beijar! – Harry disse tentando beijar Dougie que o impediu com a mão, esse clima deles anima qualquer um, até mesmo eu que estava um pouco triste porque meu pai havia viajado de tarde, ele passaria duas semanas fora resolvendo as coisas para que ele viesse morar na cidade, mas ele nem se despediu de mim.
- Suuuuuuh, você não vai me ajudar aqui não é? – Dougie gritou para mim. – Saaaaaaaai Harryyyyyyyy.
- Eu não, vocês que se resolvam – disse rindo, Tia Sam entrou logo em seguida na casa com o chofer seguindo-a.
- Gente, que isso, o Dougie mal saiu do hospital e vocês já estão desse jeito? – Ela brincou.
- Mãe, me ajuda aquiiiiiii – Dougie agora tentava fazer com que não apenas Harry, mas Danny parassem de beijá-lo.
- Meninos, o Dougie não tomou banho hoje – Tia Sam disse e os garotos saíram de perto do garoto fingindo cuspir e limpando a língua, todos riram na sala, menos os dois.
- Dougie seu porco, deve ter um monte de bactérias de hospital na minha boca – Harry disse.
- Eu não mandei vocês me beijarem – Respondeu o garoto rindo.
- Cara, vocês são sinistros – Tia Sam disse subindo as escadas com o chofer atrás dela com as coisas do Dougie.
- Então Dougie, pronto pra voltar a estudar? Depois de uma semana e meia perdeu muita coisa hein – Tom chegou na casa animado.
- Cara, não fala em escola, acabei de chegar em casa – Dougie riu. – E posso saber onde o senhor estava Thomas?
Tom ficou vermelho, ele era o único que não estava quando o Dougie saiu do hospital, eu sabia onde ele estava, mas não comentei com ninguém.
- Ah eu estava com a Maira... – Ele disse baixo e todo mundo em uníssono fez um “huuuuuuuuuuuuuuuuuuum” o que o deixou mais vermelho.
- Esqueci que ele namora – Danny caçoou do amigo.
- Cala a boca Jones – Ele disse dando um tapa na cabeça do garoto que mostrou língua para ele. – Você bem que está afim da Lara e não fala nada, pelo menos eu tenho atitude...
Tom ficou estático quando percebeu que eu estava na sala, Danny o fuzilou e os outros ficaram quietos.
- THOMAS SEU IMBECIL NÃO ERA PRA NINGUÉM SABER! – Danny brigou com o amigo.
- Ah já foi, mas ninguém daqui vai falar para ela não é? – Perguntou Tom olhando para mim, eu fiquei sem saber o que fazer, mas eu acho que não devo me meter na vida de ninguém.
- Por mim morre aqui! – Eu disse levantando as mãos ao ar.
- Por mim também – Dougie me apoiou.
- Mas Suh... – Danny disse coçando a nuca, “É impressão minha ou ele está vermelho?”.
- Sim? – Perguntei quando ele demorou a responder.
- Você acha que... Bem, a Lara... Ela... Você sabe... Por mim? – Confesso que me deu uma vontade incontrolável de rir dele, a cena foi engraçada, mas contive meu riso e fiquei balançando a cabeça enquanto ele falava.
- Olha, Danny, você consegue despertar um lado negro nela, um que eu nunca tinha visto, mas ela nunca comentou nada de você comigo... – Eu dei de ombros.
- Ah... – Ele disse dando um sorriso amarelo. – Eu vou tomar banho então...
- Tudo bem, vai lá fedido – Brinquei. Ele na verdade estava era fugindo, mas eu não me importei, deixei ele ir. – Gente, eu também tenho que ir, tenho prova amanhã e não sei nada.
- Já amor? Nem deu para te aproveitar – Dougie fez biquinho.
- Você tem seus outros amores – eu mostrei para Harry e Tom. – Eles vão cuidar de você.
Harry fez uma cara pervertida e Tom de “vem cá tesão” e eu ri da cara de medo do Dougie.
- NÃO, eles tem casco grosso, você é macia – ele se levantou e me abraçou pela cintura. – Você não tem barba, tem um cabelo lindo e olhos castanhos que eu me perco, eles não...
- Dougie, o Tom tem olhos castanhos também, não tem barba e cabelo cumprido – eu disse rindo, ele me olhou emburrado me soltando em seguida e sentando no sofá de braços cruzados. – Own Dougie, vem cá seu fofo, só não posso mesmo ficar, eu até iria te chamar para me levar em casa, mas...
- THIS! Lets go... – Dougie me interrompeu e se levantou na hora do sofá, mas sentiu uma tontura e sentou.
- Como eu ia dizendo, mas você está de repouso e não pode ir – eu disse abraçando ele, que havia se levantado novamente.
- Aff Susan, acho que você nem quer ficar comigo mais – Dougie fez ceninha.
- Pow Harry, imagina se quisesse... – Tom entrou no meio da conversa, quando olhamos para o lado eles estavam nos imitando, Dougie e eu rimos da cena.
- Pois é né Tom? Não agüentávamos mais a Suh falando que queria estar no hospital e não na escola... – Harry respondeu com um dedo na boca.
- Cara, vocês são tão gays... – Dougie rolou os olho rindo.
- Você acha? – Tom perguntou com voz fina imitando um gay.
- Não, imagina – Dougie respondeu irônico.
- Gente, tenho que ir! – Eu disse soltando Dougie e dando um selinho nele. – Até mais amor, amanhã depois da aula eu estou aqui.
- Tudo bem, é o jeito né? – Dougie fez uma cara de cachorro sem dono que me deu dó dele e vontade de ficar, mais do que eu já estava.
Me despedi dele e saí, chegando em casa dou de cara com a minha mãe na porta com uma bolsa na mão.
- Vai onde mamãe? – Perguntei olhando dela para a bolsa e da bolsa para ela.
- Ao hospital – Marcelo apareceu por trás dela falando e pegando a bolsa de suas mãos.
- Hospital? Porque? Você está bem? – Comecei a perguntar e me aproximar de mamãe, ela estava com a barriguinha aparecendo já, afinal estava com 4 meses.
- Não é nada comigo filha, é que a prima do Marcelo está internada e eu vou levar roupas para ela, eu estou bem – ela respondeu e eu respirei aliviada. – Até te chamaria para ir junto, mas eu acho que você não vai querer.
- É, realmente, eu quero apenas tomar um banho e cair na cama – eu disse rindo sem graça.
- Então você não vai querer dar uma volta com seu pai? – Ouvi meu pai atrás de mim perguntar. Me virei sorrindo.

- John! Opa, quero dizer, Pai – eu disse correndo até ele. – Você não tinha viajado?
- Eu adiei para poder sair com você um pouco antes de ir – ele deu de ombros me abraçando de lado.
- Suh, você vai ficar ou posso trancar a porta? – Perguntou mamãe do hall. - Pode trancar, eu vou dar uma voltinha – eu respondi piscando para meu pai.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Capítulo 36

O médico ficou mexendo em umas coisas e eu reclamei de dor de cabeça e que estava meio tonto, ele continuou olhando os papeis e começou a falar:
- Bom mocinho, você bateu a cabeça e ficou desacordado por alguns dias, então eu recomendo que tente se estressar o mínimo possível, eu acho que isso era que você não estava tendo antes que eu chegasse – ele riscou alguma coisa nos papeis -, por isso a tontura, a dor de cabeça ainda é pela força da batida.
Não falei nada, apenas assenti com a cabeça e encostei a mesma no travesseiro fechando os olhos, alguns minutos depois eu dormi novamente.

Senti algo tocar minha mãe e achei que fazia parte d sonho que estava tendo, mas depois eu ouvi sussurros e fui abrindo os olhos lentamente.
- ... Ele não vai acordar? – Ouvi uma garota linda sentada ao meu lado e segurando minha mão falar. Sorri para ela, ela me deixou feliz, mas quem era ela? – Dougie!
Ela sorriu e me abraçou. Eu a abracei também e senti o perfume delicioso que ela exalava, não quis largá-la, mas ela se afastou um pouco e me deu um selinho e eu sorri de novo.
Não sabia o que falar e fiquei quieto.
- Acho que ele não está lembrando do seu nome... – Harry falou me salvando.
- Como assim? – Ela olhou de Harry para mim e de mim para Harry esperando resposta.
- Eu acordei e lembro de conhecer as pessoas, mas não lembro os nomes – respondi receoso.
- Você se lembra de mim? – Ela perguntou querendo ouvir sim e eu fiquei perdido, não sabia o que falar.
- Suh, não força a barra com ele, ele acabou de acordar... – Harry falou tentando me proteger depois do meu longo silêncio.
- Não dude, tudo bem, eu posso responder, só estava organizando os pensamentos... – Eu respondi alarmado. – Eu acho que sei quem é você, você é a Susan, não é?
Ela abriu um sorriso lindo e me abraçou de novo, dessa vez quando ela foi se afastar eu não deixei.
- Hey Dougie, você se lembra de mim! – Ela disse ainda no abraço parecendo não acreditar.
- Sim, Harry falou mais cedo que eu tinha uma namorada e que não era a garota que estava aqui e que insistia em falar que se chamava Susan, mas eu não... – ela se afastou bruscamente me olhando com o cenho franzido e olhou brava para Harry.
- Como é que é? – Ela foi em direção ao sofá que Harry estava sentado olhando alguma revista, acho que para não ficar segurando vela por conta do abraço que estávamos dando.
- Eu não quis te contar Suh, a Paola... – Ele começou e Susan não o deixou terminar de falar.
- Não tem nada disso, você deveria ter me falado antes, o que a Paola fez? – Perguntou ela, e acho que ela só não gritava por estar em um hospital.
- Quando o Dougie acordou ela ficou falando que ela era você e que era a namorada dele, que você era uma doida chamada Paola e que queria roubar o Dougie dela... – Ele parou de falar e balançou a cabeça negativamente enquanto Susan estava de boca aberta e eu observava tudo. – Ela é louca, nunca fui com a cara dela.
- Eu SEMPRE soube que ela era doida, mas ninguém acreditava em mim... – Susan sentou pálida no sofá por alguns minutos e depois levantou vindo rapidamente ao lado do meu leito e pegou minha mão. – Você não acreditou nela não é mesmo? Ela é a louca, eu não...
Susan começou a disparar as palavras para mim e eu coloquei meu dedo em seus lábios para ela parar de falar.
- Na verdade, eu estava confuso, não sabia quem era quem, mas agora, depois de abrir os olhos e te ver, eu percebi quem é a mentirosa da história – eu sorri e ela relaxou sentando na cadeira ao meu lado.
- Obrigada... – Ela sussurrou e eu tive o impulso de dar-lhe um selinho.
- Gente, eu vou ir na cantina comer algo – Harry disse saindo da sala.
- Tudo bem – respondemos Susan e eu juntos.
- Dougie? – Ouvi ela me chamar depois de alguns segundos que meu amigo deixou o quarto.
- Sim? – Respondi olhando para ela.
- Como é conhecer as pessoas e não lembrar o nome? – Ela coçou a cabeça.
- Ah é muito estranho, eu lembro de tudo, menos dos nomes, tem também o fato de eu ver a pessoa e lembrar de alguns momentos com elas, mas só alguns bem vagos... – Desabafei. – É estranho, mas eu perguntei para a enfermeira e ela disse que isso é porque meu cérebro está um pouco inchado ainda, mas que com os remédios que estou tomando logo eu ficarei bom.
- Assim espero! – Ela disse pegando minha mão e ficamos nos encarando e sorrindo.
De repente eu ouço uma barulheira no corredor, Susan ficou vermelha e começou a rir.
- O que foi? – Perguntei confuso.
- Sabe, acho que suas visitas chegaram! – Respondeu ela e ao mesmo tempo entrou um bando de gente no meu quarto fazendo o maior barulho, acho que eles não se tocaram de que aquilo era um hospital.
- Gente, cala a boca! – Uma das meninas disse dando um tapa na cabeça de um garoto de chapinha e cheio de sardas pelo corpo. – Danny, você é uma anta, para de atormentar o Tom, estamos num hospital, não na casa da mãe Debbie.
A menina gargalhou e um loiro meio gordinho lhe mostrou dedo.
- Hey Dougieeeee! – Uma loira bem bonita me abraçou quando chegou perto da cama.
- Gente, ele não lembra dos nomes das pessoas, então colaborem né? – Susan disse.
- Como assim? – Perguntou uma garota que estava séria.
- Longa história – Resmungou Susan. – Dougie, esses são Tom, Maira, Danny, Priscilla e Lara.
- Cara, eu lembro dos meninos, eles são da minha banda? – Disse sorrindo e dando um tchauzinho para eles e eles concordaram com a cabeça. – Das meninas eu lembro também, mas só de estarmos em uma praça conversando...
- Caraca, pra quem está com o cérebro inchado você está lembrando bem das coisas – Danny disse rindo.
Harry entrou na sala novamente e eu vi Priscilla sorrir involuntariamente e logo disfarçar.
- Não agüentou ficar longe de nós Harry? – Susan cutucou-o e ele riu.
-É, eu acho que vocês não vão querer mais de uma vela aqui né? – Ele respondeu sarcasticamente.
- Como assim? Aqui não tem vela dude – Danny fez uma cara de mongol e nós rimos.
- Como você é burro – Lara, a menina séria rolou os olhos. – Ele disse sobre ficar vendo eles se agarrando.
Danny revirou os olhos fez uma careta para a menina.
- A conversa não chegou no chiqueiro! – Danny rebateu.
- A porque você está falando então? – Lara enfrentou Danny.
- Porque...
- Vocês dois calem a boca – Tom brigou com eles e todos na sala riram.
- Fala para ela ficar na dela então – Danny cruzou os braços e fez bico.
- Ah eu...
- CHEGA! – Gritamos todos juntos no quarto.
- Cara, como vocês são chatos – Priscilla falou indo se sentar.
Danny e Lara iam retrucar, mas Susan os cortou.
- Se quiserem brigar vão para fora do quarto, se vocês não perceberam isso é um hospital para vocês ficarem trocando amores aqui dessa maneira! – Ela disse se levantando da cadeira ao meu lado.
- Desculpa Suh – Lara fez bico e abaixou a cabeça.
- Ah você é uma chata, não pode fazer esse bico... – Susan disse rindo e a garota riu também.
- Sabia que você nunca resistiria a ele – Riu Lara.
- Safada! – Susan disse e logo em seguida a porta foi aberta.
Todos ficaram de olhos esbugalhados e boca aberta ao ver quem era.
- O que você faz aqui? – Perguntei vermelho de raiva.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Capítulo 35


Acordar exatamente não foi o que eu fiz já que fechar os olhos foi o que eu não fiz a noite toda, eu me levantei e fui tomar um banho quando ouvi barulhos da minha mãe pela casa. Depois do banho eu desci e minha mãe me obrigou a comer uma torrada com leite.
- Filha, você vai ficar a tarde toda lá de novo? – Perguntou minha mãe me tirando do transe que eu me encontrava enquanto mastigava um pedaço de torrada como se fosse borracha.
- Claro! – Respondi paciente.
- Mas... E a escola? – Perguntou ela de novo e eu a olhei cética.
- Mamãe, você acha sinceramente, que eu vou conseguir prestar atenção em alguma coisa na escola enquanto o Dougie não melhorar? – Falei devagar e com tom de obviedade na voz.
- Sinceramente não, mas acho que suas amigas pelo menos te distrairia um pouco... – Ela deu de ombros – Mas tudo bem, eu te entendo.
- Obrigada – disse me levantando da mesa. – A senhora me dá uma carona até o hospital?
- Claro que sim, quero saber como ele está também, não é só você quem está preocupada! – Ela disse se levantando também. – Vou só pegar minha bolsa e já volto, espere no carro.
Eu fui para o carro e fique a esperando.
Rapidamente estávamos no hospital, quando chegamos lá apenas Harry estava no corredor.
- Onde estão os outros? – Perguntei assim que me aproximei do garoto.
- Eles foram para a escola... – Respondeu tristemente.
- E você não foi também por que? – Pergunta idiota a minha, mas se os outros tinham ido, porque ele não poderia ter ido também?
- Não tenho cabeça para isso – deu de ombros.
- Filha, vou ver como ele está e ir embora, tudo bem? – Eu tinha esquecido que minha mãe estava comigo e só fui lembrar disso ao ouvi-la me falar.
- Claro mãe, obrigada por ter me trazido! – Eu disse lhe dando um beijo no rosto e ela seguiu um pouco mais a frente entrando no quarto onde Dougie se encontrava.
- Ela gosta dele não é? – Perguntou Harry e eu acenei positivo.
- Por mais que não se conheçam muito bem, ela sabe que ele é legal...
- E ela está certa então – os olhos de Harry começaram a ficar vermelhos e sua voz falha. – Ele não merecia estar nesse estado...
Eu me sentei o puxando também e o abracei de lado e alguns segundos depois, com certa resistência, ele estava chorando no meu ombro.
- Calma Harry, eu sei o que você está sentindo... – Eu não poderia dar-lhe uma palavra de conforto já que eu também precisava de uma, pois me encontrava na mesma situação que ele, só que agora era a minha vez de ser forte e não chorar.
- Você deve estar achando ridículo um garoto chorar não é? – Perguntou ele depois de levantar a cabeça e limpar os olhos.
Ele estava vermelho e seus olhos inchados pelo choro. Sorriu envergonhado.
- Não, eu não gosto de meninos que nunca choram, é do ser humano chorar – eu disse sorrindo de leve para ele.
- Mas é estranho... – Eu revirei os olhos desistindo de discutir com ele sobre isso.
- Bom, vamos vê-lo? – Perguntei levantando e estendendo a mão para ele.
- Claro, eu não queria ir lá sozinho, por isso estava esperando alguém chegar para ir comigo – ele respondeu me abraçando de lado.
- Sou sua heroína – respondi enquanto entrávamos no quarto.
Uma enfermeira se encontrava ao lado de Dougie examinando sua pulsação.
- Olá garotos – ela disse simpática.
- Olá – respondemos juntos.
- Como ele está? – Perguntei.
- Na mesma – ela fez uma cara de sinto muito para nós e saiu.
Nos aproximamos de Dougie, eu de um lado da cama e Harry do outro.
- Hey dude, acorda, você não combina com tanta quietude, você é o mais agitado de nós... Dói te ver assim, de olhos fechados – Harry começou a falar sem vergonha nenhuma por eu estar no quarto com ele. “Esse menino é especial” pensei.
- Isso mesmo Dougie, escuta o Harry, a gente está sentindo sua falta, abre os olhos... – Uma lágrima caiu dos meus olhos. – Por favor!
A última frase saiu como um sussurro e logo eu desabei, alguns segundos depois eu senti Harry me abraçando de lado e eu encostei em seu peito e chorei.
- Acho que agora é sua vez não é? – Harry disse alisando meu cabelo enquanto eu molhava sua camisa.
- Não quero chorar, mas... – Não consegui terminar de falar.
- Tudo bem pode chorar – Ele disse me reconfortando.
Ficamos ali no quarto por algum tempo, claro que parei de chorar algum tempinho depois e ficamos conversando com Dougie e lembrando das coisas como se ele estivesse participando da conversa.
- Suh, eu vou ir ao banheiro – Harry disse indo para a porta.
- Eu vou com você, também preciso ir – disse o acompanhando.
Fomos juntos até as portas dos banheiros até o corredor que dividia os banheiros masculinos e femininos, demorei mais que Harry, óbvio, e quando voltamos ao quarto qual não foi nossa surpresa.
- O que vocês fazem aqui? – Perguntei confusa.
- Viemos ver como Dougie está – Paola respondeu com pesar na voz.
- É, os garotos disseram que ele estava internado em coma e aí resolvemos vir depois das aulas – Thiago respondeu vindo me abraçar. – Sinto muito Suh.
- Ele não morreu ainda... – Respondi de reflexo pela forma que Thiago pronunciou a frase.
- Desculpa, não quis lhe dar essa impressão – ele disse sem graça.
- Não, tudo bem, desculpe a mim – eu disse sem graça também.
- Há quanto tempo ele está aqui? – Perguntou Paola.
- Tem alguns dias – Harry respondeu se sentando no sofá.
- E ninguém ficou sabendo... – Ela disse franzindo a testa.
- É, preferimos não contar para ninguém, mas a Suh descobriu – Ele olhou para mim cético.
- E porque não queria avisar ninguém? Acharam que pensaríamos que ele tinha evaporado do mapa? – Perguntou Thiago, inconveniente.
- Claro que não, só achávamos que ele iria acordar rápido, a tempo de ninguém saber da história.
- Ah sim – Thiago respondeu se levantando.
- Vou indo embora, você vem Paola? – Perguntou o garoto para a prima.
- Não Thiago, eu vou depois, pode ir... – Ela deu um sorriso fraco para ele.
Paola ficou a tarde toda conosco, Tia Sam, Jazzie e as garotas vieram ver como Dougie estava junto com os guys, todos estavam tão comovidos que até o Jones parou de implicar com a Lara, “ok gente, mesmo meu namorado estando em coma eu tenho que prestar atenção no mundo tá?”.
Já era hora de voltar para casa e Paola ainda estava lá no hospital, eu não gostei muito disso, ela nem falava com ele direito, mas tudo bem, vai que ela queria fazer companhia para mim? Ou ela estava querendo ficar sozinha com o Dougie para beijá-lo. “Mesmo Dougie estando desacordado eu POSSO sentir ciúmes ok?”.
- Você quer carona Paola? – Perguntou minha mãe para a garota que estava saindo para o corredor conosco, Harry ficaria com Dougie até a Tia Sam aparecer.
- Não, depois eu vou de táxi, podem ir – ela deu um sorriso amarelo e eu quis ficar, mas Harry estaria ali e ela não faria nada com MEU Dougie lindo.
- Tudo bem, boa noite então – Dona Cintia atirada que só ela foi e deu um beijo na garota.
- Boa noite Tia – “Espera, eu ouvi ela chamar minha mãe de Tia? Quem lhe deu essa liberdade?”
- Boa noite – disse o mais natural possível me corroendo de raiva por dentro.
- Boa noite Suh, durma bem – ela me deu um beijo no rosto.
Saímos do hospital comigo pisando duro, com raiva e o coração doendo. Quando chegamos em casa eu fui direto para o banho e depois deitei na cama pensando ser para mais uma noite sem dormir.
Deitada na cama eu fiquei pensando o porquê daquela raiva que eu estava sentindo da Paola, ela é uma pessoa legal e gosta de ajudar as pessoas, na visão das outras pessoas. Aos meus olhos, não sei por que, mas parece que era tudo falso, cada palavra que ela dizia, cada sorriso...
Sem querer eu acabei pegando no sono.

ON Dougie’s POV’s

Acordei e olhei para o lado e a primeira pessoa que vejo é uma garota linda, eu me lembro dela, mas não sei quem é, ela está distraída lixando a unha.
- Oi... – Comecei a falar e minha voz quase não saiu, minha garganta doeu e minha cabeça latejou.
- Dougie! – A garota pareceu assustada e logo depois abriu um sorriso. – Você acordou, espera aqui que eu vou chamar uma enfermeira!
Ela saiu correndo do quarto antes que eu pudesse dizer algo. Mas quem era aquela menina? Porque eu estou deitado nessa cama? Tentei me levantar, mas novamente minha cabeça doeu.
- Aaai – resmunguei.
- Dougie! – Ouvi uma voz masculina me chamar, era conhecida.
- Quem é você? – Perguntei confuso para o garoto que estava com os olhos lacrimejando olhando para mim emocionado. – Porque eu tenho a impressão de te conhecer?
- Dude, você não se lembra de mim? – Perguntou agora meio triste.
- Não, mas eu me recordo do seu rosto – ele pareceu mais aliviado.
- Dude, eu sou o Harry Judd, seu melhor amigo... – Quando ele disse esse nome vieram vários flashes na minha cabeça.
- Harry... Eu me lembro de você... Você é um baterista... E namora uma menina... – Não soube definir como era a menina e cresceu dentro de mim uma raiva ao lembrar dele com a menina, mas eu me contive.
- Não namoro ninguém , mas sim, sou baterista! – Ele disse sorrindo fraco.
- Ah, desculpa... – Ficamos em silêncio algum tempo até que a curiosidade me venceu. – O que aconteceu comigo?
- Você... Bem, você sofreu um acidente e ficou em coma por alguns dias – Harry me falou e eu ouvi o “pi-pi-pi” irritante da máquina que media minha pulsação aumentar de uma hora para outra.
- C-como assim? Acidente? Coma? – Eu estava ficando tonto.
- Calma dude, calma, já passou... – Ele ficou apurado com meu jeito. – Olha, vou ligar para a Susan, ela vai ficar muito feliz de te ver acordado...
- Quem é Susan? – Perguntei abobalhado.
- É a sua namorada Dougie... – Harry pareceu surpreso, e eu também, nem imaginava que eu tinha uma namorada.
Fiquei calado até que a porta se abriu.
- Dougie, meu amor, eu trouxe os médicos! – Aquela garota que estava no quarto quando acordei entrou no recinto toda sorridente.
- Amor? – Harry perguntou assustado.
- É, você não sabia que somos namorados? – Perguntou a menina. Realmente ela é linda, só que eu não sentia que isso era verdade, parecia faltar alguma coisa nessa minha namorada.
- Oi amor, eu estava com saudade, chorei muito, mas nunca achei que você ia me deixar sozinha aqui por mais tempo, você é forte! – Ela me deu um selinho.
- Paola, você está louca? – Harry perguntou do nada todo vermelho, ele fica assim quando ta nervoso ou estressado, no caso pareceu os dois.
- Quem é Paola aqui? Sou a Susan! – Fique mega confuso ali no quarto, enquanto isso os enfermeiros ainda mexiam em mim, mas alguns segundos depois eles saíram. – Paola ficou em casa, aquela insensível.
-Você é mesmo minha namorada? – Perguntei desconfiado.
- Claro que sou... – Respondeu ela convicta.
- Não Dougie, ela não é sua namorada, ela é a Paola, prima do Thiago que quer ficar com a Susan, não acredita nela! – Harry começou a falar e eu comecei a lembrar.
- Hey garota, você tem algum tipo de problema de cabeça? – Harry perguntou para Paola que estava o olhando indignada.
- Dougie, não acredita nele, ele gosta de mim e quer ficar comigo, por isso que ele está falando essas barbaridades! – Ela se defendeu.
- Barbaridade é o que você esta fazendo, sua safada, desde que te vi eu sabia que você não era gente boa... – Harry começou a falar e um enfermeiro chegou no quarto mandando eles saírem que eu precisava descansar, mas antes de sair a Paola veio e me deu um outro selinho.
- Até agorinha amor! – Saiu em seguida e Harry tentou vir falar comigo, mas o médico chegou e mandou ele sair.


segunda-feira, 14 de março de 2011

Capítulo 34

Chegamos no hospital e eu nem esperei o pessoal, desci do carro e disparei na frente, mas logo Tom me alcançou e me fez ir mais devagar. Eu queria correr para dentro daquele hospital gritando que eu queria o Dougie comigo, queria que o fizessem acordar, mas me contive em ficar quieta. Tia Sam passou na nossa frente e nos guiou até o quarto que Dougie estava. Não podíamos passar pela porta, só o veríamos pelo vidro. Ele estava todo arranhado e ligado à milhares de fios.
- Eu disse que não era bom você ter vindo Susan! – Tia Sam disse quando eu cheguei ao ponto de soluçar de tanto chorar.
- Eu... Não... Podia... Deixar... Ele... Sozinho... – Mal consegui dizer essa frase direito.
- Suh, você quer uma água? – Harry perguntou, eu não disse nada, apenas me dirigi para o vidro que dava visão de Dougie e grudei a cara nele, observando o meu garoto deitado naquela cama todo machucado e inconsciente.
Acho que ninguém quis me incomodar ou não sabia o que fazer comigo, pois somente Harry ficou do meu lado olhando para dentro da sala com a mão em meu ombro.
- Ele vai ficar bem, eu sei, ele é forte... – Harry disse depois de alguns minutos ao meu lado em silêncio. Não disse nada e nem desgrudei o rosto do vidro até perceber um barulho de porta abrindo. Quando olhei para o lado uma enfermeira abria a porta do quarto de Dougie, meu coração foi na boca. Ela checou um monte de coisas lá dentro e saiu, mas logo voltou com um médico.
- Porque ela trouxe o médico? O que está acontecendo? Porque o médico vai examinar ele? – Comecei a entrar em desespero jogando milhares de perguntas para Tia Sam.
- Calma Susan, é apenas os preparativos para o exame que eles vão fazer nele daqui à pouco – ela disse e nem tentou sorrir simpática para mim porque nem era hora para isso, mas eu senti falta desse gesto.
- Que tipo de exame? – Queria saber de tudo que estava acontecendo.
- Vão fazer um raio-x da cabeça dele para ver se houve progresso na recuperação – ela respondeu paciente. Resolvi para por aí porque eu comecei a perceber o quão chata estava sendo.
Algum tempo depois uns três enfermeiros apareceram com um leito para pegar Dougie e levar para a sala que iriam examiná-lo e uma hora depois ainda não haviam voltado.
- Que demora – resmunguei enquanto roia as unhas que nem tinha mais.
- É, estão demorando demais! – Danny levantou e veio do meu lado tentando também ver em vão dentro da sala pelo vidro escuro que ficava na porta.
- Vem sentar aqui vocês dois, ficar aí tentando ver o que está acontecendo só faz a ansiedade aumentar – Tom meio que ralhou com a gente que o ignorou.
- Cala a boca, deixa eles – Ouvi Harry dizer para tom que bufou.
- Até parece que eu também não estou ansioso – Tom murmurou bem baixinho, mas mesmo assim consegui ouvir devido ao silêncio que estava no corredor onde nos encontrávamos.
- Sei que você está preocupado dude, mas é que temos maneiras diferentes de demonstrar isso, e a minha maneira é querer gritar com todo mundo, já a sua é acalmar as pessoas nervosas – Respondi Tom de repente o fazendo arregalar os olhos.
Antes que ele respondesse algo a porta abriu atrás de mim e eu me virei rapidamente e me afastei para os enfermeiros passarem com Dougie e quando ia seguindo-os o médico saiu e eu resolvi ficar para ver o que ele tinha para falar.
- Então Doutor? Como ele está? – Tia Sam perguntou antes que qualquer pessoa mais falasse, inclusive o médico.
- O estado dele é estável, teve um grande avanço, mas ele ainda está em coma e não sabemos quando ele irá acordar. Como ele está fora de perigo será transferido para um quarto onde poderá receber visitas – O médico anotava algo em sua prancheta enquanto falava.
- Quando poderemos vê-lo? – Perguntei afobada com Danny do meu lado.
- Logo que ele for instalado num apartamento – ele se virou para Tia Sam – Você deve ser a mãe dele, poderia vir comigo para resolver esses assuntos?
- Claro! – Ela respondeu e se virou para nós cinco. – Garotos, vão à lanchonete e comam algo, assim que Dougie estiver no quarto eu vou chamá-lo. Vamos Doutor!
Dizendo isso ela sumiu pelo corredor com o médico e Harry passou o braço pelo meu ombro e fomos para a lanchonete.

- Come algo Suh, você vai emagrecer e ficar feia, aí o Dougie acorda e te dá um pé na bunda! – Danny tentava me animar e fazer comer alguma coisa, mas eu parecia ter travado e só de ver aquele sanduíche gelado na minha frente eu me sentia cheia.
- Não estou com fome Danny, e além do mais não vou emagrecer por ficar menos de uma manhã sem comer! – Respondi revirando os olhos e apoiando o cotovelo na mesa e o queixo nas mãos.
- Tudo bem, se você não quer comer eu como – Tom deu de ombros e pegou meu sanduíche o que me fez rir e balançar de leve a cabeça em negação ao que ele fez.
- Só você mesmo pra me fazer rir uma hora dessas – falei revirando os olhos.
- É para isso que os amigos servem, para te fazer rir nos piores momentos – ele disse me dando um sorriso reconfortante que pareceu funcionar porque eu retribuí.
- Obrigada! – Agradeci inconsciente de que eles também eram amigos do Dougie e também sofriam, mas nesse momento eu estava egoísta, mesmo não querendo ser.
- Quem está afim de ver o Dougie? – Tia Sam chegou perguntando e eu pulei da cadeira na hora.
- Eu quero, onde ele está?
- Sabia que iria ser assim – ela respondeu sorrindo. – Venham, ele está no terceiro andar.

Entrando no quarto eu fui rapidamente para o lado de Dougie e peguei sua mão. Queria estar sozinha no quarto com ele, mas os guys queriam vê-lo também então não ousei dizer nada a esse respeito.
O rosto de Dougie tinha alguns arranhões, e tinha um tubo em seu nariz. Em seu braço tinha uma agulha que era ligada à um tubo que dava para uma espécie de saco com soro dentro o nutrindo, mas isso não me chamou mais atenção do que os machucados em seus braços, estavam esfolados devido ao arremesso que o carro lhe deu e ele voou caindo no asfalto.
- Até que para quem foi atropelado ele está em um estado físico... Digamos... – Danny parou de falar para pensar na palavra que ele procurava para terminar a frase. – Bom não é porque Olah isso... Mas é um estado aceitável, não parece um atropelado...
Tadinho do meu amigo, se enrolou todo para falar uma besteira, sabendo como o Danny é o ignoramos.
Tia Sam não tinha entrado no quarto. Acho que ela tinha ido resolver algum problema no hospital.
- Gente, será que ele vai ficar muito tempo desacordado? – Harry perguntou com a voz afetada e eu tive vontade de abraçar ele.
- Não sei cara, ouvi dizer que o coma é relativo. A pessoa pode demorar uma semana para acordar como pode demorar meses ou até anos – Tom respondeu Harry que soltou o ar pesadamente.
- Tomara que ele não demore a acordar, eu bato nele se ele fizer isso – Danny disse descontraindo o quarto.
Danny era legal, ele não gosta de climas tensos, nem quando a coisa afeta ele, ele não gosta de pensar no pior e faz piadas das coisas o tempo todo por isso. Essa era uma qualidade nele que eu queria ter, me acho tão escandalosa e dramática. Ficamos a maior parte do tempo em silêncio depois disso, apenas comentando sobre uma coisa ou outra até que Harry se levantou de repente.
- Vou dar uma volta, não adianta ficar aqui vendo ele deitado aí nessa cama e não poder fazer nada! – Ele disse se dirigindo a porta e saindo. Pude ver em seus olhos uma tristeza que nunca tinha visto antes.
- Ele deve gostar muito do Dougie né? – Perguntei apertando a mão de Dougie. Sim, eu ainda estava ao lado dele.
- Dougie é o melhor amigo dele – Tom respondeu levantando e indo para a porta – Vou com ele, você vem Danny?
- Sim – Danny já estava atrás de Tom antes que eu pudesse perceber que ele havia se levantado, eu estava com uma dor de cabeça absurda, acho que era de preocupação, e ainda era de tarde.
- Dougie, por favor, não demora muito para acordar... – Sussurrei para ele, agora que me encontrava sozinha com ele no quarto eu me sentia a vontade para fazer isso, dizem que conversar com pessoas em coma é bom, faz elas terem vontade de acordar. – Preciso de você... É tão ruim te ver assim.
Senti um nó na minha garganta e as lágrimas escaparam dos meus olhos. Parece que com a saída dos garoto meu campo magnético contra a franqueza foi junto com eles.
- Eu te amo – disse e dei um selinho nele. Logo em seguida ouvi batidinhas de leve na porta e olhei para trás.
- Suh! – Maira entrou no quarto e veio me abraçar, logo senti mais dois braços passando por mim. – Sinto muito.
- Eu também – respondi limpando as lágrimas que haviam caído.
- Ele vai ficar melhor – Lara disse me dando um abraço separado agora.
- Isso mesmo, você vai ver, daqui a pouco ele acorda e já quer ficar de agarração contigo por aí! – Priscilla disse me cutucando nas costelas antes de me abraçar me fazendo rir entre o choro que ainda não havia cessado.
- Eu sei – respondi não muito convincente.
Contei à elas o que eu sabia do acidente e o que tinha acontecido no hospital.
- Onde estão os meninos? – Lara perguntou quando eu disse que eles também estavam sofrendo.
- Foram tomar um ar, Harry saiu daqui todo triste dizendo que ficar aqui não ia adiantar nada e Tom e Danny foram atrás dele – respondi.
- Tadinho do Harry – Priscilla respondeu e eu tive a leve impressão de que ela queria reconfortá-lo, mas não disse nada.
- E como está o Tom? – Maira perguntou preocupada.
- Tom é forte, ele parece o mais controlado – Analisei meus pensamentos pela primeira vez e percebi isso.
De repente ouvi meu estomago roncar e arregalei os olhos.
- Quanto tempo você está sem comer? – Lara me olhou serrando os olhos.
- Comi em casa só, antes de ir para a escola! – Respondi mordendo o lábio inferior sabendo que lá vinha bronca.
- Susan, como você pôde ficar tanto tempo sem comer? – Maira me olhou de cara fechada.
- Porque simplesmente não conseguia comer – me defendi, mas não adiantou muito, elas levantaram e me puxaram para a porta.
- Vamos na lanchonete, você tem que comer! – Priscilla disse autoritária.
- Não vou, eu quero ficar aqui, vai que ele acorda e está sozinho? – Falei me livrando das mãos de Maira e cruzando os braços.
Vi Lara sair do quarto e voltar alguns minutos depois com Tia Sam.
- Pronto, ele não vai ficar sozinho, vamos! – Maira disse me puxando de novo.
- Odeio vocês – disse fazendo birra.
- Mentira, você nos ama, vamos logo antes que eu comece a te puxar pelos cabelos! – Maira disse e eu comecei a andar normalmente.
Estávamos sentadas na lanchonete da esquina do hospital, segundo Maira até a comida da lanchonete do hospital era comida de hospital e eu não podia comer lá porque comida de hospital é para doente e eu estava muito saudável.
- É numa hora dessas que eu me pergunto porque ainda sou amiga de vocês, meu namorado em coma e vocês me arrastam para uma lanchonete de esquina bem longe do quarto dele – resmunguei e Maira colocou a mão em meu ombro e me olhou com falsa cara de pesar.
- É que você cometeu muitos pecados na vida passada!
- Só pode ser! – respondi revirando os olhos. Me sentia culpada só de sorrir.
- Posso voltar para o hospital agora? – Perguntei a terminar de comer o misto quente que elas haviam me obrigado a comer tomando suco de laranja.
- Pode! – Voltamos a hospital e elas ficaram comigo até a mãe delas ligarem para elas.
Estava sozinha com Dougie e segurando sua mão quando eu escutei a porta se abrir.
- Suh? – Ela cochichou e eu a olhei.
- Mãe! – Fui ao seu encontro e a abracei.
- Como você está? – Perguntou, como se não soubesse a resposta.
- Mal – respondi abaixando o olhar para o chão.
- Sinto muito – essas duas palavras foram as que eu mais escutei no dia então não a respondi, o que eu poderia falar? Repetir de novo um “eu também”?
Ficamos em silêncio, era incomodo ter alguém no quarto, eu não queria conversar.
- Suh, vamos para casa? Está tarde! – Ouvi minha mãe perguntar. Então foi por isso que ela foi lá, foi me buscar!
- Não quero ir... – Fiz birra de novo. “Eu estou sensível, coe!”
- Você não pode ficar aqui a noite toda! – ela disse com a voz mais autoritária.
- Porque? – Perguntei indignada.
- Porque é uma norma do hospital... – Respondeu ela pesarosa. – Vamos?
- Agora? – Fiquei surpresa.
- Sim, são oito horas da noite já querida! – Ela disse indo até mim e me abraçando.
- Deixa eu me despedir? – Perguntei e ela entendeu que eu queria ficar sozinha com ele e saiu.
- Dougie, amanhã eu volto tudo bem? Te amo, vê se acorda logo. I Miss You! – Disse a última frase e lhe dei outro selinho. O último do dia.


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Capítulo 33

- Professora, posso ir no banheiro? – Perguntei levantando a mão.
- Agora? Mas acabou de começar a aula, você deve agüentar mais um pouco! – A chata da professora de história me disse e tentou voltar a dar a aula chata dela. Eu me levantei e saí, ela começou a falar umas coisas que eu ignorei. Fui cruzar o pátio, mas fui impedida por um par de mãos fortes que me puxaram para virar.
- Suh, aonde você vai com tanta pressa? – Thiago perguntou um tanto estranho.
- A professora me pediu para falar com a diretora, dá licença! – Eu disse ríspida e tentando me soltar dos braços dele, que não consegui fazer.
- Espera, preciso te falar uma coisa... – Ele disse me olhando fundo nos olhos como um pedido mudo, quase implorando.
- Thiago, eu estou com pressa! – Eu disse me soltando e quase correndo para o lugar onde estavam os guys.

Cheguei na cantina e encontrei os garotos sentados em uma das mesas encarando uns aos outros em silêncio. Eles pareciam alheios ao que acontecia ao seu redor.
- Gente? – Cheguei por trás de Tom que levou um susto.
- Suh... – Tom disse triste e um tanto relutante. Senti que ele não esperava me ver, ou não queria ter que fazê-lo tão cedo.
- Cadê o Dougie? – Perguntei tentando não parecer ansiosa.
Eles ficaram em silêncio, me afligindo mais do que já estava.
- Falem! – Eu disse agora com um tom mais grave, tentando impor na voz que eu eles teriam que me contar, eu não ia desistir.
- Suh, senta primeiro! – Harry disse por fim.
Eu olhei desconfiada para ele, mas percebi que eles só me contariam se eu o obedecesse, então eu o fiz.
- Bom, aquele dia que ele ficou até tarde na sua casa... – Danny começou a dizer, mas não conseguiu terminar de falar e abaixou a cabeça, sua voz estava sofrida, era estranho ver ele daquele jeito, uma vez que seu humor parecia nunca ter fim.
- O que tem aquele dia? – Eu perguntei agoniada já. – Me falem de uma vez caramba!
- Aquela noite, ele estava voltando para casa, quando foi passar na frente de uma garagem um carro o acertou em cheio, ele está no hospital em coma... – Tom disse aquilo, sua voz estava ficando cada vez mais baixa, ele quase não conseguiu terminar a ultima frase. Eu senti que mundo desabava sobre minha cabeça, a minha visão ficou turva, rapidamente meu rosto esquentou e logo em seguida grossas lágrimas lavaram meu rosto.
- Por... Porque.. Porque vocês só... Foram... Me dizer isso... Agora? – Eu perguntei entre soluços, não estava conseguindo nem respirar direito.
- Nós... – Tom começou a tentar se explicar, mas não conseguiu. Deitei a cabeça sobre meu ante-braço sobre a mesa, não conseguiria suportar aquilo, meu Dougie numa maca de hospital todo machucado e inconsciente. Senti um abraço de lado e me ergui da mesa abraçando Danny que também chorava. Ele e Dougie eram bem próximos, dava para perceber.
- Eu quero vê-lo – Eu disse alguns minutos depois, me soltando do abraço de Danny. Eu ainda chorava, mas minha respiração tinha voltado ao normal.
- Suh, isso é com a Tia Sam, ela não queria nem que você soubesse... – Harry disse relutante.
- E onde ela está? – Perguntei com um nó na garganta e olhando para os lados para ver se a encontrava, em vão.
- Está na sala da diretora falando com ela – Tom respondeu.
- Eu vou lá... – Disse me levantando, mas Harry me segurou.
- Não Susan, espera, elas vão é te mandar para a sala de aula se invadir lá desse jeito – ele disse preocupado e eu me sentei derrotada.
- Você tem razão – coloquei os pés no bando e apoiei a cabeça nos joelhos e comecei a chorar mais, em pensar em Dougie, deitado em uma cama de hospital, inconsciente...
- Calma Suh, o estado dele não é tão ruim... – Tom disse tentando me acalmar.
- Se não é tão ruim, porque ele está desacordado Tom? – Eu disse inconformada, ele apenas me abraçou.
- O que houve gente? Porque a Suh está chorando assim? – Ouvi Maira perguntar e logo em seguida os braços dela me puxar de Tom e me abraçar apertado. Eu comecei a soluçar de novo.
- O Dougie está no hospital em coma – Harry respondeu as perguntas dela, que me abraçou mais forte e eu pude sentir que o seu coração acelerou quando soube da noticia. Mas quem não ficaria nervoso com isso?
- Calma Suh... Vai ficar tudo bem... – Ela disse baixinho no meu ouvido.
- Como você sabe? – Eu sussurrei, pois não conseguia nem falar direito.
- Porque sempre dá tudo certo no final! – Ela me disse e eu senti meu coração apertar mais.
- É, assim que as coisas são – Tom disse pousando as mãos nas minhas costas.
- Mas eu quero vê-lo – insisti com a voz manhosa.
- Daqui a pouco veremos sobre isso, também quero vê-lo! – Tom disse sério.
Ficamos sentados nos olhando sem dizer nada por um tempo, não muito longo, mas que para mim pareceu uma eternidade, até ouvir vozes vindas do pátio e estava vindo na nossa direção.
- Será a Tia Sam? – Perguntei levantando a cabeça e olhando para a direção do barulho esperançosa, mas nunca que seria ela, rindo e falando alto daquele jeito com o filho dela no hospital.
- Paola – eu disse nada animada. No mínimo ela foi matar aula lá em cima com uma menina.
- Gente, o que houve? – Ela perguntou alarmada pelas nossas caras. Não deu tempo de respondermos, Tia Sam surgiu no refeitório, acompanhada da diretora, que ficou olhando para nós quatro, que deveríamos estar em sala, mas estávamos ali.
- Garotas, porque estão aqui em cima? – Ela começou a falar e eu revirei os olhos impaciente e me levantei, indo na direção da mãe de Dougie. Só de pensar em falar as lágrimas já começaram a escorrer pelo meu rosto.
- Tia, eu preciso ver o Dougie... – Minha voz era um sussurro por conta do nó que se forma na minha garganta por causa do choro.
- Suh... – Ela disse relutante. – Ele não pode receber visitas...
Eu comecei a chorar mais, minhas pernas fraquejaram e eu me sentei no chão. Ela se abaixou na minha frente e me ajudou a levantar, me levando para o banco.
- Mas não posso nem ficar olhando para ele por aquele vidro que tem naqueles hospitais? – Eu disse com dificuldade.
- Não lhe faria bem, querida – ela olhava fundo nos meus olhos e eu pude ver que ela sofria tanto, quanto mais, que eu.
- Eu... Preciso vê-lo... – Eu repeti, desviando do olhar dela, mais para mim mesma do que para as pessoas ouvirem. – Onde ele está internado?
Tia Sam não iria me falar, eu percebi pelo olhar dela. Ela não era idiota, sabia o que eu iria fazer, mas eu não era de desistir fácil.
- Tudo bem, já que não vai me falar eu vou sair de hospital em hospital até achar! – Eu disse firmemente, quando fui me levantar ela segurou meu braço.
- Eu te levo – ela se deu por vencida.
- Diretora? – Ela se aproximou da mulher mais velha que conversava com Maira, Paola e a outra garota que eu não sabia quem era, embora já a tivesse visto pela escola.
- Sim, senhora Poynter? – Ela se virou para Tia Sam.
- Será que você me liberaria a Susan por hoje das aulas? – Ela perguntou cautelosa.
- Só com a permissão de um responsável dela – a diretora respondeu com uma voz de profissional e me olhou em seguida, ela pareceu se abalar um pouco com o meu olhar mudo e desesperado de que precisava muito ir. – Desculpa, são as normas da escola.
Não haveria problemas com minha mãe, mas eu ia perder muito tempo ligando para ela.
- Vou ligar para minha mãe! – Eu disse tirando o celular do bolso.
- Eu quero ir com vocês, para dar apoio para a Susan! – Maira se impôs.
- Não Mai, é melhor você ficar, as meninas devem estar preocupadas... – Eu disse enquanto minha mãe não atendia o telefone. – Por falar nisso, como você saiu na aula da professora de história?
- Longa história, mas é melhor eu voltar antes que ela vem atrás de mim com uma bazuca! – Ela disse já descendo para o pátio. Em outra ocasião eu riria com a piada dela. Me virei e me afastei, passando pelo portão que dava para a quadra de esportes da escola.

- Alô? Mãe? – Eu fiz a melhor voz que pude para parecer bem quando ela atendeu, mas mãe é mãe.
- Filha, tudo bem? Aconteceu alguma coisa? – Ela começou a perguntar me corujando como sempre.
- Sim... – Eu respirei fundo, não sei porque disse sim, acho que reflexo. – Não mãe, na verdade não está nada bem...
Comecei a chorar de novo.
- O que aconteceu Susan, porque você está chorando? – Ela perguntou alarmada, mais preocupada do que já estava. – Quer que eu vá te buscar?
- Não mãe... Eu preciso que você me libere da escola por hoje com a diretora... – Disse entre as lágrimas.
- Mas porquê? Filha, vou ir te buscar agora! – Ela disse e eu ouvi um barulho estridente, ela deveria ter derrubado algo.
- O Dougie mãe... – Não consegui continuar.
- O que tem ele? O que ele te fez? – Ela perguntou agora com um tom de voz mais grave que eu conhecia muito bem.
- Não mãe, não é nada do que você está pensando... – Eu disse e respirei fundo recuperando o ar. – Ele está no hospital...
- Oh meu Deus Suh, por quê? – É do instinto de todo mundo perguntar isso, mas eu não queria responder.
- Mãe, quando eu chegar em casa te respondo, mas por favor... Me libera aqui da escola para eu poder vê-lo... – Senti que começaria a chorar de novo, mas respirei fundo e engoli o choro.
- Claro minha filha, vou desligar e ligar para a diretoria, te amo! – Ela disse e eu respondi com outro “te amo” quase inaudível.