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segunda-feira, 14 de março de 2011

Capítulo 34

Chegamos no hospital e eu nem esperei o pessoal, desci do carro e disparei na frente, mas logo Tom me alcançou e me fez ir mais devagar. Eu queria correr para dentro daquele hospital gritando que eu queria o Dougie comigo, queria que o fizessem acordar, mas me contive em ficar quieta. Tia Sam passou na nossa frente e nos guiou até o quarto que Dougie estava. Não podíamos passar pela porta, só o veríamos pelo vidro. Ele estava todo arranhado e ligado à milhares de fios.
- Eu disse que não era bom você ter vindo Susan! – Tia Sam disse quando eu cheguei ao ponto de soluçar de tanto chorar.
- Eu... Não... Podia... Deixar... Ele... Sozinho... – Mal consegui dizer essa frase direito.
- Suh, você quer uma água? – Harry perguntou, eu não disse nada, apenas me dirigi para o vidro que dava visão de Dougie e grudei a cara nele, observando o meu garoto deitado naquela cama todo machucado e inconsciente.
Acho que ninguém quis me incomodar ou não sabia o que fazer comigo, pois somente Harry ficou do meu lado olhando para dentro da sala com a mão em meu ombro.
- Ele vai ficar bem, eu sei, ele é forte... – Harry disse depois de alguns minutos ao meu lado em silêncio. Não disse nada e nem desgrudei o rosto do vidro até perceber um barulho de porta abrindo. Quando olhei para o lado uma enfermeira abria a porta do quarto de Dougie, meu coração foi na boca. Ela checou um monte de coisas lá dentro e saiu, mas logo voltou com um médico.
- Porque ela trouxe o médico? O que está acontecendo? Porque o médico vai examinar ele? – Comecei a entrar em desespero jogando milhares de perguntas para Tia Sam.
- Calma Susan, é apenas os preparativos para o exame que eles vão fazer nele daqui à pouco – ela disse e nem tentou sorrir simpática para mim porque nem era hora para isso, mas eu senti falta desse gesto.
- Que tipo de exame? – Queria saber de tudo que estava acontecendo.
- Vão fazer um raio-x da cabeça dele para ver se houve progresso na recuperação – ela respondeu paciente. Resolvi para por aí porque eu comecei a perceber o quão chata estava sendo.
Algum tempo depois uns três enfermeiros apareceram com um leito para pegar Dougie e levar para a sala que iriam examiná-lo e uma hora depois ainda não haviam voltado.
- Que demora – resmunguei enquanto roia as unhas que nem tinha mais.
- É, estão demorando demais! – Danny levantou e veio do meu lado tentando também ver em vão dentro da sala pelo vidro escuro que ficava na porta.
- Vem sentar aqui vocês dois, ficar aí tentando ver o que está acontecendo só faz a ansiedade aumentar – Tom meio que ralhou com a gente que o ignorou.
- Cala a boca, deixa eles – Ouvi Harry dizer para tom que bufou.
- Até parece que eu também não estou ansioso – Tom murmurou bem baixinho, mas mesmo assim consegui ouvir devido ao silêncio que estava no corredor onde nos encontrávamos.
- Sei que você está preocupado dude, mas é que temos maneiras diferentes de demonstrar isso, e a minha maneira é querer gritar com todo mundo, já a sua é acalmar as pessoas nervosas – Respondi Tom de repente o fazendo arregalar os olhos.
Antes que ele respondesse algo a porta abriu atrás de mim e eu me virei rapidamente e me afastei para os enfermeiros passarem com Dougie e quando ia seguindo-os o médico saiu e eu resolvi ficar para ver o que ele tinha para falar.
- Então Doutor? Como ele está? – Tia Sam perguntou antes que qualquer pessoa mais falasse, inclusive o médico.
- O estado dele é estável, teve um grande avanço, mas ele ainda está em coma e não sabemos quando ele irá acordar. Como ele está fora de perigo será transferido para um quarto onde poderá receber visitas – O médico anotava algo em sua prancheta enquanto falava.
- Quando poderemos vê-lo? – Perguntei afobada com Danny do meu lado.
- Logo que ele for instalado num apartamento – ele se virou para Tia Sam – Você deve ser a mãe dele, poderia vir comigo para resolver esses assuntos?
- Claro! – Ela respondeu e se virou para nós cinco. – Garotos, vão à lanchonete e comam algo, assim que Dougie estiver no quarto eu vou chamá-lo. Vamos Doutor!
Dizendo isso ela sumiu pelo corredor com o médico e Harry passou o braço pelo meu ombro e fomos para a lanchonete.

- Come algo Suh, você vai emagrecer e ficar feia, aí o Dougie acorda e te dá um pé na bunda! – Danny tentava me animar e fazer comer alguma coisa, mas eu parecia ter travado e só de ver aquele sanduíche gelado na minha frente eu me sentia cheia.
- Não estou com fome Danny, e além do mais não vou emagrecer por ficar menos de uma manhã sem comer! – Respondi revirando os olhos e apoiando o cotovelo na mesa e o queixo nas mãos.
- Tudo bem, se você não quer comer eu como – Tom deu de ombros e pegou meu sanduíche o que me fez rir e balançar de leve a cabeça em negação ao que ele fez.
- Só você mesmo pra me fazer rir uma hora dessas – falei revirando os olhos.
- É para isso que os amigos servem, para te fazer rir nos piores momentos – ele disse me dando um sorriso reconfortante que pareceu funcionar porque eu retribuí.
- Obrigada! – Agradeci inconsciente de que eles também eram amigos do Dougie e também sofriam, mas nesse momento eu estava egoísta, mesmo não querendo ser.
- Quem está afim de ver o Dougie? – Tia Sam chegou perguntando e eu pulei da cadeira na hora.
- Eu quero, onde ele está?
- Sabia que iria ser assim – ela respondeu sorrindo. – Venham, ele está no terceiro andar.

Entrando no quarto eu fui rapidamente para o lado de Dougie e peguei sua mão. Queria estar sozinha no quarto com ele, mas os guys queriam vê-lo também então não ousei dizer nada a esse respeito.
O rosto de Dougie tinha alguns arranhões, e tinha um tubo em seu nariz. Em seu braço tinha uma agulha que era ligada à um tubo que dava para uma espécie de saco com soro dentro o nutrindo, mas isso não me chamou mais atenção do que os machucados em seus braços, estavam esfolados devido ao arremesso que o carro lhe deu e ele voou caindo no asfalto.
- Até que para quem foi atropelado ele está em um estado físico... Digamos... – Danny parou de falar para pensar na palavra que ele procurava para terminar a frase. – Bom não é porque Olah isso... Mas é um estado aceitável, não parece um atropelado...
Tadinho do meu amigo, se enrolou todo para falar uma besteira, sabendo como o Danny é o ignoramos.
Tia Sam não tinha entrado no quarto. Acho que ela tinha ido resolver algum problema no hospital.
- Gente, será que ele vai ficar muito tempo desacordado? – Harry perguntou com a voz afetada e eu tive vontade de abraçar ele.
- Não sei cara, ouvi dizer que o coma é relativo. A pessoa pode demorar uma semana para acordar como pode demorar meses ou até anos – Tom respondeu Harry que soltou o ar pesadamente.
- Tomara que ele não demore a acordar, eu bato nele se ele fizer isso – Danny disse descontraindo o quarto.
Danny era legal, ele não gosta de climas tensos, nem quando a coisa afeta ele, ele não gosta de pensar no pior e faz piadas das coisas o tempo todo por isso. Essa era uma qualidade nele que eu queria ter, me acho tão escandalosa e dramática. Ficamos a maior parte do tempo em silêncio depois disso, apenas comentando sobre uma coisa ou outra até que Harry se levantou de repente.
- Vou dar uma volta, não adianta ficar aqui vendo ele deitado aí nessa cama e não poder fazer nada! – Ele disse se dirigindo a porta e saindo. Pude ver em seus olhos uma tristeza que nunca tinha visto antes.
- Ele deve gostar muito do Dougie né? – Perguntei apertando a mão de Dougie. Sim, eu ainda estava ao lado dele.
- Dougie é o melhor amigo dele – Tom respondeu levantando e indo para a porta – Vou com ele, você vem Danny?
- Sim – Danny já estava atrás de Tom antes que eu pudesse perceber que ele havia se levantado, eu estava com uma dor de cabeça absurda, acho que era de preocupação, e ainda era de tarde.
- Dougie, por favor, não demora muito para acordar... – Sussurrei para ele, agora que me encontrava sozinha com ele no quarto eu me sentia a vontade para fazer isso, dizem que conversar com pessoas em coma é bom, faz elas terem vontade de acordar. – Preciso de você... É tão ruim te ver assim.
Senti um nó na minha garganta e as lágrimas escaparam dos meus olhos. Parece que com a saída dos garoto meu campo magnético contra a franqueza foi junto com eles.
- Eu te amo – disse e dei um selinho nele. Logo em seguida ouvi batidinhas de leve na porta e olhei para trás.
- Suh! – Maira entrou no quarto e veio me abraçar, logo senti mais dois braços passando por mim. – Sinto muito.
- Eu também – respondi limpando as lágrimas que haviam caído.
- Ele vai ficar melhor – Lara disse me dando um abraço separado agora.
- Isso mesmo, você vai ver, daqui a pouco ele acorda e já quer ficar de agarração contigo por aí! – Priscilla disse me cutucando nas costelas antes de me abraçar me fazendo rir entre o choro que ainda não havia cessado.
- Eu sei – respondi não muito convincente.
Contei à elas o que eu sabia do acidente e o que tinha acontecido no hospital.
- Onde estão os meninos? – Lara perguntou quando eu disse que eles também estavam sofrendo.
- Foram tomar um ar, Harry saiu daqui todo triste dizendo que ficar aqui não ia adiantar nada e Tom e Danny foram atrás dele – respondi.
- Tadinho do Harry – Priscilla respondeu e eu tive a leve impressão de que ela queria reconfortá-lo, mas não disse nada.
- E como está o Tom? – Maira perguntou preocupada.
- Tom é forte, ele parece o mais controlado – Analisei meus pensamentos pela primeira vez e percebi isso.
De repente ouvi meu estomago roncar e arregalei os olhos.
- Quanto tempo você está sem comer? – Lara me olhou serrando os olhos.
- Comi em casa só, antes de ir para a escola! – Respondi mordendo o lábio inferior sabendo que lá vinha bronca.
- Susan, como você pôde ficar tanto tempo sem comer? – Maira me olhou de cara fechada.
- Porque simplesmente não conseguia comer – me defendi, mas não adiantou muito, elas levantaram e me puxaram para a porta.
- Vamos na lanchonete, você tem que comer! – Priscilla disse autoritária.
- Não vou, eu quero ficar aqui, vai que ele acorda e está sozinho? – Falei me livrando das mãos de Maira e cruzando os braços.
Vi Lara sair do quarto e voltar alguns minutos depois com Tia Sam.
- Pronto, ele não vai ficar sozinho, vamos! – Maira disse me puxando de novo.
- Odeio vocês – disse fazendo birra.
- Mentira, você nos ama, vamos logo antes que eu comece a te puxar pelos cabelos! – Maira disse e eu comecei a andar normalmente.
Estávamos sentadas na lanchonete da esquina do hospital, segundo Maira até a comida da lanchonete do hospital era comida de hospital e eu não podia comer lá porque comida de hospital é para doente e eu estava muito saudável.
- É numa hora dessas que eu me pergunto porque ainda sou amiga de vocês, meu namorado em coma e vocês me arrastam para uma lanchonete de esquina bem longe do quarto dele – resmunguei e Maira colocou a mão em meu ombro e me olhou com falsa cara de pesar.
- É que você cometeu muitos pecados na vida passada!
- Só pode ser! – respondi revirando os olhos. Me sentia culpada só de sorrir.
- Posso voltar para o hospital agora? – Perguntei a terminar de comer o misto quente que elas haviam me obrigado a comer tomando suco de laranja.
- Pode! – Voltamos a hospital e elas ficaram comigo até a mãe delas ligarem para elas.
Estava sozinha com Dougie e segurando sua mão quando eu escutei a porta se abrir.
- Suh? – Ela cochichou e eu a olhei.
- Mãe! – Fui ao seu encontro e a abracei.
- Como você está? – Perguntou, como se não soubesse a resposta.
- Mal – respondi abaixando o olhar para o chão.
- Sinto muito – essas duas palavras foram as que eu mais escutei no dia então não a respondi, o que eu poderia falar? Repetir de novo um “eu também”?
Ficamos em silêncio, era incomodo ter alguém no quarto, eu não queria conversar.
- Suh, vamos para casa? Está tarde! – Ouvi minha mãe perguntar. Então foi por isso que ela foi lá, foi me buscar!
- Não quero ir... – Fiz birra de novo. “Eu estou sensível, coe!”
- Você não pode ficar aqui a noite toda! – ela disse com a voz mais autoritária.
- Porque? – Perguntei indignada.
- Porque é uma norma do hospital... – Respondeu ela pesarosa. – Vamos?
- Agora? – Fiquei surpresa.
- Sim, são oito horas da noite já querida! – Ela disse indo até mim e me abraçando.
- Deixa eu me despedir? – Perguntei e ela entendeu que eu queria ficar sozinha com ele e saiu.
- Dougie, amanhã eu volto tudo bem? Te amo, vê se acorda logo. I Miss You! – Disse a última frase e lhe dei outro selinho. O último do dia.


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Capítulo 33

- Professora, posso ir no banheiro? – Perguntei levantando a mão.
- Agora? Mas acabou de começar a aula, você deve agüentar mais um pouco! – A chata da professora de história me disse e tentou voltar a dar a aula chata dela. Eu me levantei e saí, ela começou a falar umas coisas que eu ignorei. Fui cruzar o pátio, mas fui impedida por um par de mãos fortes que me puxaram para virar.
- Suh, aonde você vai com tanta pressa? – Thiago perguntou um tanto estranho.
- A professora me pediu para falar com a diretora, dá licença! – Eu disse ríspida e tentando me soltar dos braços dele, que não consegui fazer.
- Espera, preciso te falar uma coisa... – Ele disse me olhando fundo nos olhos como um pedido mudo, quase implorando.
- Thiago, eu estou com pressa! – Eu disse me soltando e quase correndo para o lugar onde estavam os guys.

Cheguei na cantina e encontrei os garotos sentados em uma das mesas encarando uns aos outros em silêncio. Eles pareciam alheios ao que acontecia ao seu redor.
- Gente? – Cheguei por trás de Tom que levou um susto.
- Suh... – Tom disse triste e um tanto relutante. Senti que ele não esperava me ver, ou não queria ter que fazê-lo tão cedo.
- Cadê o Dougie? – Perguntei tentando não parecer ansiosa.
Eles ficaram em silêncio, me afligindo mais do que já estava.
- Falem! – Eu disse agora com um tom mais grave, tentando impor na voz que eu eles teriam que me contar, eu não ia desistir.
- Suh, senta primeiro! – Harry disse por fim.
Eu olhei desconfiada para ele, mas percebi que eles só me contariam se eu o obedecesse, então eu o fiz.
- Bom, aquele dia que ele ficou até tarde na sua casa... – Danny começou a dizer, mas não conseguiu terminar de falar e abaixou a cabeça, sua voz estava sofrida, era estranho ver ele daquele jeito, uma vez que seu humor parecia nunca ter fim.
- O que tem aquele dia? – Eu perguntei agoniada já. – Me falem de uma vez caramba!
- Aquela noite, ele estava voltando para casa, quando foi passar na frente de uma garagem um carro o acertou em cheio, ele está no hospital em coma... – Tom disse aquilo, sua voz estava ficando cada vez mais baixa, ele quase não conseguiu terminar a ultima frase. Eu senti que mundo desabava sobre minha cabeça, a minha visão ficou turva, rapidamente meu rosto esquentou e logo em seguida grossas lágrimas lavaram meu rosto.
- Por... Porque.. Porque vocês só... Foram... Me dizer isso... Agora? – Eu perguntei entre soluços, não estava conseguindo nem respirar direito.
- Nós... – Tom começou a tentar se explicar, mas não conseguiu. Deitei a cabeça sobre meu ante-braço sobre a mesa, não conseguiria suportar aquilo, meu Dougie numa maca de hospital todo machucado e inconsciente. Senti um abraço de lado e me ergui da mesa abraçando Danny que também chorava. Ele e Dougie eram bem próximos, dava para perceber.
- Eu quero vê-lo – Eu disse alguns minutos depois, me soltando do abraço de Danny. Eu ainda chorava, mas minha respiração tinha voltado ao normal.
- Suh, isso é com a Tia Sam, ela não queria nem que você soubesse... – Harry disse relutante.
- E onde ela está? – Perguntei com um nó na garganta e olhando para os lados para ver se a encontrava, em vão.
- Está na sala da diretora falando com ela – Tom respondeu.
- Eu vou lá... – Disse me levantando, mas Harry me segurou.
- Não Susan, espera, elas vão é te mandar para a sala de aula se invadir lá desse jeito – ele disse preocupado e eu me sentei derrotada.
- Você tem razão – coloquei os pés no bando e apoiei a cabeça nos joelhos e comecei a chorar mais, em pensar em Dougie, deitado em uma cama de hospital, inconsciente...
- Calma Suh, o estado dele não é tão ruim... – Tom disse tentando me acalmar.
- Se não é tão ruim, porque ele está desacordado Tom? – Eu disse inconformada, ele apenas me abraçou.
- O que houve gente? Porque a Suh está chorando assim? – Ouvi Maira perguntar e logo em seguida os braços dela me puxar de Tom e me abraçar apertado. Eu comecei a soluçar de novo.
- O Dougie está no hospital em coma – Harry respondeu as perguntas dela, que me abraçou mais forte e eu pude sentir que o seu coração acelerou quando soube da noticia. Mas quem não ficaria nervoso com isso?
- Calma Suh... Vai ficar tudo bem... – Ela disse baixinho no meu ouvido.
- Como você sabe? – Eu sussurrei, pois não conseguia nem falar direito.
- Porque sempre dá tudo certo no final! – Ela me disse e eu senti meu coração apertar mais.
- É, assim que as coisas são – Tom disse pousando as mãos nas minhas costas.
- Mas eu quero vê-lo – insisti com a voz manhosa.
- Daqui a pouco veremos sobre isso, também quero vê-lo! – Tom disse sério.
Ficamos sentados nos olhando sem dizer nada por um tempo, não muito longo, mas que para mim pareceu uma eternidade, até ouvir vozes vindas do pátio e estava vindo na nossa direção.
- Será a Tia Sam? – Perguntei levantando a cabeça e olhando para a direção do barulho esperançosa, mas nunca que seria ela, rindo e falando alto daquele jeito com o filho dela no hospital.
- Paola – eu disse nada animada. No mínimo ela foi matar aula lá em cima com uma menina.
- Gente, o que houve? – Ela perguntou alarmada pelas nossas caras. Não deu tempo de respondermos, Tia Sam surgiu no refeitório, acompanhada da diretora, que ficou olhando para nós quatro, que deveríamos estar em sala, mas estávamos ali.
- Garotas, porque estão aqui em cima? – Ela começou a falar e eu revirei os olhos impaciente e me levantei, indo na direção da mãe de Dougie. Só de pensar em falar as lágrimas já começaram a escorrer pelo meu rosto.
- Tia, eu preciso ver o Dougie... – Minha voz era um sussurro por conta do nó que se forma na minha garganta por causa do choro.
- Suh... – Ela disse relutante. – Ele não pode receber visitas...
Eu comecei a chorar mais, minhas pernas fraquejaram e eu me sentei no chão. Ela se abaixou na minha frente e me ajudou a levantar, me levando para o banco.
- Mas não posso nem ficar olhando para ele por aquele vidro que tem naqueles hospitais? – Eu disse com dificuldade.
- Não lhe faria bem, querida – ela olhava fundo nos meus olhos e eu pude ver que ela sofria tanto, quanto mais, que eu.
- Eu... Preciso vê-lo... – Eu repeti, desviando do olhar dela, mais para mim mesma do que para as pessoas ouvirem. – Onde ele está internado?
Tia Sam não iria me falar, eu percebi pelo olhar dela. Ela não era idiota, sabia o que eu iria fazer, mas eu não era de desistir fácil.
- Tudo bem, já que não vai me falar eu vou sair de hospital em hospital até achar! – Eu disse firmemente, quando fui me levantar ela segurou meu braço.
- Eu te levo – ela se deu por vencida.
- Diretora? – Ela se aproximou da mulher mais velha que conversava com Maira, Paola e a outra garota que eu não sabia quem era, embora já a tivesse visto pela escola.
- Sim, senhora Poynter? – Ela se virou para Tia Sam.
- Será que você me liberaria a Susan por hoje das aulas? – Ela perguntou cautelosa.
- Só com a permissão de um responsável dela – a diretora respondeu com uma voz de profissional e me olhou em seguida, ela pareceu se abalar um pouco com o meu olhar mudo e desesperado de que precisava muito ir. – Desculpa, são as normas da escola.
Não haveria problemas com minha mãe, mas eu ia perder muito tempo ligando para ela.
- Vou ligar para minha mãe! – Eu disse tirando o celular do bolso.
- Eu quero ir com vocês, para dar apoio para a Susan! – Maira se impôs.
- Não Mai, é melhor você ficar, as meninas devem estar preocupadas... – Eu disse enquanto minha mãe não atendia o telefone. – Por falar nisso, como você saiu na aula da professora de história?
- Longa história, mas é melhor eu voltar antes que ela vem atrás de mim com uma bazuca! – Ela disse já descendo para o pátio. Em outra ocasião eu riria com a piada dela. Me virei e me afastei, passando pelo portão que dava para a quadra de esportes da escola.

- Alô? Mãe? – Eu fiz a melhor voz que pude para parecer bem quando ela atendeu, mas mãe é mãe.
- Filha, tudo bem? Aconteceu alguma coisa? – Ela começou a perguntar me corujando como sempre.
- Sim... – Eu respirei fundo, não sei porque disse sim, acho que reflexo. – Não mãe, na verdade não está nada bem...
Comecei a chorar de novo.
- O que aconteceu Susan, porque você está chorando? – Ela perguntou alarmada, mais preocupada do que já estava. – Quer que eu vá te buscar?
- Não mãe... Eu preciso que você me libere da escola por hoje com a diretora... – Disse entre as lágrimas.
- Mas porquê? Filha, vou ir te buscar agora! – Ela disse e eu ouvi um barulho estridente, ela deveria ter derrubado algo.
- O Dougie mãe... – Não consegui continuar.
- O que tem ele? O que ele te fez? – Ela perguntou agora com um tom de voz mais grave que eu conhecia muito bem.
- Não mãe, não é nada do que você está pensando... – Eu disse e respirei fundo recuperando o ar. – Ele está no hospital...
- Oh meu Deus Suh, por quê? – É do instinto de todo mundo perguntar isso, mas eu não queria responder.
- Mãe, quando eu chegar em casa te respondo, mas por favor... Me libera aqui da escola para eu poder vê-lo... – Senti que começaria a chorar de novo, mas respirei fundo e engoli o choro.
- Claro minha filha, vou desligar e ligar para a diretoria, te amo! – Ela disse e eu respondi com outro “te amo” quase inaudível.


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Capítulo 32

De noite eu estava sentada na minha cama olhando o nada e lembrando da tarde que passei com minhas amigas e meu pai. Foi realmente muito boa e relaxante. O que eu estranhei foi que Dougie não me ligou nem uma vez durante a tarde e eu estava com mau pressentimento, mas eu evitei pensar nisso. Acho que era ainda receio do sonho que eu tive um tempo atrás. Me deitei e liguei a TV que tinha no quarto, coloquei na MTV e passava um programa de comédia onde algumas pessoas faziam pegadinhas com outras. Eu comecei a rir loucamente das caras que as pessoas faziam. Perdi a noção do tempo e acabei cochilando com a janela aberta e a TV ligada.

- Suh? – Ouvi uma voz me chamar, achei que era alguma espécie de sonho, mas quando abri meus olhos vi uma silhueta em cima de mim, eu me sentei na hora e estremeci de frio, eu não tinha nem me coberto, mas ignorei esse fato encarando a pessoa que me olhava com um sorriso tímido no rosto.
- Dougie? – Minha voz falhou devido o fato de eu ter acabado de acordar. – O que você faz aqui uma hora dessas?
- Eu não agüentei de saudade e resolvi vir te visitar... – Ele disse sorrindo e fazendo carinho no meu rosto com o polegar.
- Mas é tarde da noite, como você entrou? – Eu perguntei ainda confusa. Meu coração estava a mil.
- Dei um jeito, queria muito te ver e dizer que te amo e que não é para você se esquecer disso – ele sorriu de lado o que fez meu coração se acelerar, mas agora era de vertigem, ele não pode sorrir perto de mim assim, quando eu acabo de acordar, só se quiser me matar, eu sorri também e o abracei.
- Senti saudades também, porque você não me ligou? – Foi estranho aquele abraço, ele estava lá e não estava. Ele ia me responder, mas ouvi um baque do outro lado da porta e olhei para a mesma me afastando dele, quando olhei na minha frente Dougie tinha sumido. Eu fiquei sem entender nada. Olhei para os lado para ver se ele estava no quarto ainda, mas só vi o quarto vazio e a janela aberta. Fiz que ia me levantar mas não consegui. A porta se abriu...

Eu acordei suando e a garganta trancada. Olhei para a janela e a mesma se encontrava aberta, e logo percebi a porta aberta. Era minha mãe, ela entrou bem devagar, acho que ela pensou que eu ainda dormia, e desligou a TV. Quando ela ia saindo eu a chamei.
- Mãe?
- Suh? Te acordei? – Ela perguntou um pouco culpada.
- Não, eu estava acordada desde antes da senhora entrar – eu disse me sentando na cama. – Veio alguém aqui me ver?
- Não querida, porque? – Ela disse se sentando na beira da minha cama.
- Nada, é que... Deixa pra lá... – Respirei fundo me levantando da cama.
- Tenta dormir de novo, é 1h P.M. ainda! – Minha mãe disse se levantando.
- Vou beber uma água – eu disse acompanhando ela até embaixo. Bebi minha água e subi, deitei na cama e liguei de novo a TV e acabei dormindo com ela ligada novamente. Mas dessa vez eu não tive pesadelo, nem nenhum outro tipo de sonho.

- SUH – Ouvi Lara gritar no meu ouvido quando cheguei na escola. – Nunca vou me acostumar com essa história de você não vir mais com a gente para escola!
Ela fez biquinho e eu ri dela, Maira, que estava ao seu lado, também riu.
- Ora, e eu então? Vou ter que vir todo dia com o chato do Marcelo, não reclama! – Eu disse cruzando os braços um pouco revoltada por isso, mas eu ainda sorria.
- E aí, como foi a primeira noite na casa nova? – Maira me perguntou mudando de assunto.
- Um horror! – Respondi lembrando do pesadelo.
- Nossa, que houve? – Lara perguntou achando estranho o modo como eu falei.
- Tive um pesadelo, sei lá. Algo do tipo... – Eu respondi não tendo certeza do que dizia, afinal, foi um pesadelo ou só um sonho estranho por Dougie ter sumido?
- Como assim? – Maira perguntou confusa. Quando fui responder fui interrompida.
- Oi gente linda! – Uma Priscilla chega toda sorridente, felicidade que logo passou a ver minha cara de enterro. – Nossa, o que está acontecendo?
- Depois a gente fala disso, pode ser? – Eu disse impaciente.
- Tudo bem então – Lara concordou fazendo bico, de novo, mas não me importei, em um lugar público como a escola sempre existe urubus que podem sair espalhando por ai coisas sobre a gente por ter ouvido o trecho de uma conversa em que não tem nada haver com o que essa pessoa interpreta.
- Então, porque essa animação toda dude? – Perguntei para Priscilla e lembrando do Dougie ao dizer a palavra que ele ama dizer, “dude”.
- Nada, só acordei feliz! – Ela disse abrindo um sorriso.
- Que bom Pri! – Lara respondeu se jogando na garota e quase levando as duas para o chão.
- Hey, calma aí Lah, eu não quer cair aqui no meio do pátio! – Priscilla reclamou me fazendo rir também e esquecer um pouco a aflição a qual eu me encontrava.
- Gente, vocês viram algum dos garotos por aí? – Maira perguntou tirando as palavras da minha boca.
- Não, eu não vejo eles desde ontem na hora do intervalo... – Lara respondeu.
- Estranho, ontem eles mal falaram conosco e o Dougie nem veio... O que será que aconteceu? – Priscilla entrou na conversa e com essas palavras dela minha angústia aumentou. Eu devo ter ficado com uma cara de que tinha visto algum fantasma porque elas me olharam assustadas.
- Suh, você está bem? – Ouvi Maira perguntar, eu balancei a cabeça positivamente.
- Não, você não está bem, ficou branca de uma hora para outra – Priscilla disse com um tom firme na voz. Ela estava certa, eu sabia que algo tinha acontecido, acho que por isso que eu tive um sonho tão real com Dougie, a ultima vez que isso aconteceu foi quando minha avó morreu. Eu sonhei com ela vindo me falar que sempre estaria comigo e que era para mim cuidar da minha mãe e que era para mim ser forte, na hora não soube o que ela quis dizer no sonho, mas de manhã eu soube. Vou falar que tenho medo disso e queria achar que fosse só uma coincidência, mas minha mente se recusava a aceitar isso.
- Lembram do sonho, pesadelo, tanto faz, que eu falei que tive essa noite? – elas afirmaram. – Então, eu sonhei com o Dougie, ele veio no sonho me dizer que me ama muito e que não era para mim esquecer disso... Foi tão real... – Eu disse e meus olhos começaram a lacrimejar. As garotas sabem como eu tenho medo de sonhos assim, elas olharam entre si e se sentaram ao meu lado ao mesmo tempo que bateu o sino. Nos levantamos e fomos para a sala. Eu não queria ir e me sentar ao lado de um banco vazio. Dougie não iria para a escola, eu sabia, mas me recusava a aceitar. Só queria poder ligar para ele e ter certeza de que ele estava bem, e eu faria isso no intervalo. Eu nem sei porque não liguei para ele ontem mesmo. Sou uma burra. Porque ele que tem que ligar? Estamos no século XXI, não preciso mais esperar ele ligar.
Me sentei no meu lugar com o coração apertado. A professora de Geografia começou a dar a aula dela e todos estavam até quietos. Parecia que tinha séculos que ela estava lá falando, mas tinha se passado só quinze minutos. Eu percebi uma movimentação fora da sala e direcionei minha atenção para lá. Era a diretora acompanhada de uma mulher que eu não via o rosto, mas me era conhecida. Fiquei reparando nelas e nem percebi que vinham umas pessoas atrás delas, quando os vi meu coração bateu forte. Estavam Harry, Danny e Tom caminhando no pátio atrás das duas e um segundo depois eu vi que era a mãe de Dougie. Não ia conseguir ficar lá na sala sentada, precisava falar com os garotos, onde estava Dougie afinal? Vi que eles subiram para o refeitórios e eles estavam sérios, coisa que eu nunca tinha visto.


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Capítulo 31

Acordei cedo com minha mãe batendo na porta, implorei tanto para ela me deixar ir para a escola, mas ela não deixou. Comecei a encaixotar minhas coisas, eu pegava cada coisa com tanto carinho que parecia que era hiper sensível ao toque, cada coisa que eu tinha no meu quarto era especial e tinha um valor sentimental.

Meus móveis que eu tinha desde que me entendo por gente não iriam comigo, nem minha maca iria para a casa nova. Aquilo me deixou mais para baixo ainda. Eu não iria apenas mudar de casa, eu ia abandonar o meu passado.

- Vamos Susan, você é muito enrolada! – Marcelo me gritou do carro onde ele e minha mãe estavam me esperando enquanto eu olhava a pequena casa a qual eu vivi a minha vida toda, eu tinha lágrimas nos olhos e segurava um urso de pelúcia, daria tudo por um abraço de algum dos meus amigos.
- Estou indo! – Eu disse limpando a lágrima fujona que escapou e virando para entrar no carro. Meu coração estava apertado, não gosto muito de mudanças.
- Não fique assim Suh, só vamos mudar de casa, nada vai mudar! – Minha mãe acariciou meu cabelo quando eu me sentei no banco de trás e encostei nos bancos da frente os braços e deitei a cabeça nos mesmos.
- Eu sei, mas eu quero chorar! – Eu disse com a voz manhosa e ouvi Marcelo bufar do meu lado.
- Tudo bem, então chore, isso lhe fará bem, afinal, foram tantas novidades assim de uma hora para outra! – Ela disse com voz de mãe coruja.
- Obrigada mãe! – Respondi com a voz embargada pelo choro, porque ela tinha que ser tão fofa?
Fui quieta até a nova casa, não demorou muito mais que 10 minutos, mas para mim pareceu uma eternidade. Ela ficava num bairro onde as casas todas tinham piscinas ou quadras no fundo, ou seja, das famílias classe-média alta da cidade. Também era o bairro onde mora o Thiago!
Marcelo parou o carro na frente de uma casa enorme e branca, com um jardim lindo e com uma fonte no meio. A casa era de três andares e as janelas eram de vidros assim como a lateral porta de madeira trabalhada em flores. Havia um caminho que ia do portão pequeno até a pequena escada que antecipa o hall da porta. Marcelo deixou minha mãe e eu na frente do pequeno portão e entrou com o carro pelo portão da garagem. Caminhamos até a porta e quando ela abriu meu queixo caiu. Era praticamente uma mansão! A primeira coisa que eu vi foi o grande lustre e a escada que subia de dois lados, havia também do lado direito uma sala onde deveria ser a sala de estar e do lado esquerdo uma mesa que deveria ser aonde comeríamos, adentrando a casa eu pude ver além da sala de estar a sala de TV. Nesse momento eu já tinha esquecido da casa antiga, subi correndo as escadas do lado direito e cheguei num espaço onde eu entrei e encontrei dois corredores e uma outra escada que eu ignorei, queria achar meu quarto, o da direita havia três portas e o da esquerda cinco. Deduzi que o meu quarto ficava na esquerda, já que o Marcelo havia falado que havia quarto para as minhas amigas nessa casa. Entrei no corredor, mas antes de ir muito longe ouvi passos atrás de mim e me virei.
- Procurando seu quarto Suh? – Minha mãe perguntou sorridente e vindo até mim.
- Sim, qual é? – Eu perguntei toda animada.
- É o do fim do corredor! – Ela disse e eu saí andando, quase correndo e o abri.
Meu queixo furou o chão quando eu abri a porta. O quarto era todo trabalhado branco e vermelho, os móveis, as cortinas e a colcha da cama.
- Nossa mãe, esse quarto é lindo! – Eu disse admirada.
- Eu sabia que você iria gostar! – Ela disse com um tom de orgulho na voz. – Agora o Marcelo está trazendo suas coisas, arrume e mais tarde eu deixo você sair!
Ela não me deixou nem admirar o quarto direito e já me deu coisas para fazer, revirei os olhos e em seguida o chato entrou no quarto com minha uma caixa enorme na mão, a caixa onde estavam meus enfeites que estavam sobre a minha antiga cômoda, eu a abri e comecei a arrumar quando os dois saíram do quarto me deixando sozinha, o que aconteceu apenas por alguns poucos minutos porque logo eles apareceram trazendo outras caixas e minhas malas. Eu apenas sorria amarelo e votava a atenção para o que fazia. Era 15:30PM e eu sozinha, só ouvindo música no mp4, ninguém havia me ligado nem nada e eu ainda estava enrolada arrumando meus livros na prateleira. Aquilo iria até tarde e não daria tempo de sair, até vontade de chorar eu estava.
Chegou uma hora que eu fiquei com raiva e joguei as coisas no chão, queria ver o Dougie e não poderia porque teria que arrumar aquilo, eu estranhei ele não me ligar. Bufei e fui em direção a porta do quarto para descer e comer alguma coisa e beber água, já que eu não havia descido para almoçar, achando que iria comer alguma coisa na rua. Quando abri a porta quase caí para trás.
- O que vocês fazem aqui? – Eu perguntei com um sorriso bobo na cara.
- Viemos te ajudar, tenho certeza que você estava querendo quebrar tudo por não termos dado sinal de vida! – Maira disse me abraçando.
- Tem razão Mai, olha os livros jogados – Priscilla disse entrando no quarto e catando um livro do chão.
- Suh, temos uma surpresa para você! – Lara disse com um sorriso sapeca no rosto.
- Ah o que é? – Perguntei curiosa e querendo sair parar fora do quarto, mas Maira e Priscilla me puxaram para trás.
- Nananinanão, volta aqui!
- Ah me deixa ir ver Maira! – Eu falava com voz birrenta.
- Não, e não vamos te mostrar enquanto não parar de querer ver o que é! – Eu não desisti até me dar por vencida, então parei e cruzei os braços fazendo um bico.
- Tá, nem quero mai saber o que é! – Eu disse pegando um livro do chão e segundos depois eu ouvi a porta abrir.
- Não quer mesmo? – Eu sorri antes de virar ao reconhecer a voz de quem havia entrado no quarto.
- PAI – Eu gritei e corri para abraçá-lo.
- Filha, como você está? – Ele perguntou depois que me colocou no chão.
- Estou bem, tirando o fato de que fiquei isolada em casa o dia todo arrumando o quarto – eu disse e ele olhou o quarto todo.
- É, está bem arrumado, tirando o fato desses livros jogados no chão! – Ele disse sorrindo.
- Ahn... É que eu deixei cair sem querer... – Menti e lancei um olhar para as garotas que seguraram o riso. Afinal porque eu menti?
- Hum, sei – Acho que ele não acreditou muito em mim, mas tanto faz. – Quer ajuda?
- Seria ótimo – eu disse sorrindo.
- E rápido! – Ele disse se abaixando para pegar os livros.
- E vocês? Vai só ficar olhando a gente trabalhar? – Eu disse cerrando os olhos para as garotas sentadas na cama conversando sobre algo que eu não sabia o que era.
- Hum, acho que sim, é bem mais fácil! – Priscilla disse rindo.
- Pois eu vou ajudar minha amiga linda – Maira disse com uma voz de puxa saco e se abaixando ao meu lado.
- Ah se é assim eu também vou! – Lara disse e Priscilla ficou olhando os quatro arrumar a estante.
- Ah para de ser orgulhosa Priscilla, sei que você que quer nos ajudar! – Lara disse para um Priscilla sem graça sentada na cama e fingindo interesse nas unhas. – Veeem!
Ela se juntou a nós e em pouco tempo os livros estavam nos seus devidos lugares.
- Nossa, quando eu estava arrumando sozinha parecia que nunca ia acabar isso! – Eu disse olhando a grande prateleira cheia de livros. Eu adoro ler e minha mãe sempre gostou disso, por isso estava sempre comprando livros novos para mim.
- Bom, está feito! – Meu pai disse sorrindo e se virando para nós. – Quem quer tomar sorvete?
As quatro abriram sorrisos enormes e responderam um “Eu” um pouco animado demais.


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Capítulo 30

Acordei de manhã e muito cansada por ter passado quase a noite toda acordada com Maira, ficamos jogando UNO até quase cairmos de sono. Me espreguicei olhando para o despertador e o desliguei. Meu sistema estava lerdo. Acordei Maira e fui me arrumar, ela foi para um quarto de hóspedes para se arrumar também, emprestei uma roupa para ela já que ela não tinha ido na casa dela buscar. Ela ainda se arrumava quando eu desci para tomar café. Já que a Maira era de casa eu não precisava esperá-la.

- Bom dia mãe! – Eu disse, bocejando, para minha mãe que preparava um café da manhã, eu tinha me adaptado ao novo horário dela. Ela tinha até saído do trabalho dela para se ter uma idéia!
- Bom dia Susan! – Ela quase cantou esse bom dia, de tão feliz que parecia estar.
- Que felicidade é essa? – Perguntei rindo do jeito happiness dela.
- O Marcelo já quer que nos mudemos para a outra casa... – Ela disse deixando um silêncio no ar e se virando para pegar algo na geladeira, mas ainda sorria.
- Quando? – acho que era isso que ela tentava pensar em como me falar.
- Essa semana mesmo – como ela podia sorrir com uma noticia dessas? “Ah é, ela é namorada dele, daqui a pouco esposa!” Eu fiquei quieta, não poderia falar nada para evitar aquilo então preferi o silêncio. – Não vai falar nada?
- Não – eu disse com cara de paisagem mas querendo sair quebrando tudo na casa.
Ainda bem que Maira apareceu antes da minha mãe começar a falar.
- Bom dia tia Cintia! – Lara disse, ela estava toda maquiada e com meu perfume que uso só para sair, fuzilei ela quando percebi isso.
- Bom dia Maira! – Minha mãe respondeu sorridente, aquela felicidade estava me irritando. “Não, não sou insensível, o que me irrita é o porque dela estar feliz, aquilo seria um mártire”. – O que vai querer? Temos torrada com geléia de morango, pão de queijo, frutas...
- Vou comendo uma torrada pelo caminho! – Ela respondeu pegando umas cinco e colocando a mochila nas costas.
- Tudo bem então, boa aula para vocês meninas – minha mãe deu de ombros e veio me dar um beijo. – Suh, não fique com essa cara menina, lá vai ser legal, você vai ver!
- Espero que sim – disse desanimada, “duvido que será bom morar com aquele idiota”.

- Nossa que cara de cú é essa? – Maira me perguntou quando passamos pela porta.
- Minha mãe quer se mudar essa semana – respondi chutando uma pedrinha na minha frente.
- Já? – Ela perguntou exaltada. – Não, não, não, eu adoro aquela sua casa, é tão confortável, sou acostumada com ela, oh não! – Ela falava enquanto comia, eu olhei para ela e comecei a rir.
- Sabe, até sem querer você me faz rir, olha sua situação garota! – Eu disse colocando ela de frente para um carro para se olhar, ela começou a rir também e a limpar a boca que tinha muitos farelos de torrada.
- Ainda bem que eu tenho você, senão iria chegar igual uma mendiga na escola e o Tom nem ia mais querer falar comigo! – Ela disse me dando um abraço que quase me sufocou.
- Ah, então é por causa dele que você usou meu perfume mais favorito e caro? – Me lembrei de brigar com ela por causa disso.
- Haha foi, mas eu sei que você me ama e nem liga, é por uma causa maior – ela disse piscando freneticamente os olhos e sorrindo, foi tão engraçado que quase chorei de rir.
- Sua louca, acho que você não deveria namorar o Tom, deveria namorar o Danny, vocês são iguaiszinhos no quesito caretas – Eu disse e ela me deu um tapa no braço rindo também.
- Mas eu acho que ela não combina com ele! – Lara apareceu atrás de nós, que levamos um susto enos viramos bem rápido e quase caímos.
- Nossa Lara, que susto menina! – Eu disse rindo.
- Vocês nem passaram na minha casa né suas amigas da onça! – Ela disse tentando dar um tapa na cabeça de nós duas que desviamos e ela ficou com cara de tacho enquanto riamos.
- Nossa, nem tinha visto que já tínhamos passado da sua casa – Maira disse.
- Nem eu! – Concordei com ela. – E porque a Maira não combina com o Danny? Nasceram um para o outro!
Eu disse quando continuamos a andar.
- Sei lá, não combina! – Ela disse irritada?
- Está com ciúmes Lara? – Maira perguntou rindo, pareceu que ela leu minha mente.
- Nunca, da onde você tirou isso sua louca? – Lara foi agressiva sem precisar.
- Meu Deus menina, acordou com a macaca? – Perguntei e ela revirou os olhos.
- Ah dá licença Susan! – Ela disse empurrando Maira e eu e saiu andando muito rápido na frente.
- Nossa Lara, só estávamos brincando! – Gritei e ela mostrou o dedo do meio para nós que ficamos com cara de bobas paradas no meio da calçada.
- Cruzes, a TMP dela é pior que a de nós duas juntas! – Maira brincou.
- Não acho que seja TMP – eu disse quando continuamos a andar.
- Então o que é? – Maira fez cara de tonta para mim, revirei os olhos e nem respondi, nem parece que ela é nerd.
- Vem dude, vamos alcançar ela e ver o que é que ela tem – eu disse já correndo e puxando Maira.
- Lara, espera aí... – eu disse quase morrendo quando chegamos perto delas.
- Sei que fizemos uma brincadeira de mau gosto, desculpa! – Maira falou e eu concordei com a cabeça.
- É, desculpa!
- Vocês sabem que eu não suporto o Jones e vem fazer uma piadinha dessas, nossa, que belas amigas, nem preciso de inimigos... – Ela disse parando para nos encarar com um olhar mortal.
- Ah para com isso, fala sério, você só pode estar de TPM né? Porque vamos combinar que isso nunca foi coisa para a gente brigar! – Eu estourei com ela e ela pareceu acalmar.
- Só quero ficar sozinha, por favor! – ela disse voltando a andar.
- Tudo bem, mas fique sozinha na escola porque agora não temos como não ir juntas – Maira falou dando um abraço nela. Respeitando a Lara fomos um pouco atrás dela conversando sobre coisas paralelas.

Quando chegamos na escola os garotos nos esperava no portão, menos o Danny que deveria estar andando pela escola galinhando.
- Bom dia! – Harry disse sorridente.
- Bom dia uma ova! – Lara disse empurrando todo mundo.
- NOSSA! O que deu nessa garota? – Danny disse chegando por trás dos outros.
- Nada, deixa ela – Maira disse abraçando o Tom. – Vamos entrar!
Foram todos na frente, Dougie me esperou para irmos juntos atrás. Peguei na mão dele e fui seguindo o pessoal, mas de repente sinto um baque e Dougie me puxa para outro lado.
- Dougie, mas o quê... – nem deu tempo de terminar a pergunta e ele parou na minha frente fazendo com que eu batesse contra o corpo dele e ele me roubar um selinho voltando a me puxar.
- Shiii... Não fala nada! – Ele disse sorrindo para mim e eu apenas assenti com a cabeça.
Ele me levou para um lugar escondido de todo mundo, um beco.
- Nossa Dougie, eu que estudo aqui faz tempo nunca soube desse lugar – eu disse admirada e ele tinha um sorriso convencido no rosto.
- Uma garota chamou o Danny para ficar aqui com ele e ele veio, depois contou para mim onde era... – Ele fez uma cara engraçada. – Depois de eu ter ameaçado cortar o lindo cabelo dele de noite, claro!
- Hum, e para quê você queria saber onde ficava esse lugar? – Eu disse sorrindo e chegando mais perto dele e ele me abraçou pela cintura.
- Você nem imagina porque? – Ele perguntou chegando o rosto tão perto que eu sentia o hálito de morango dele. Deveria estar mascando algum chiclete.
- Não... – Eu disse sorrindo e fechando os olhos para sentir o cheiro que só ele tem. – Me mostra?
Quando disse isso ele selou nossos lábios, logo eu sedi passagem para língua dele e o beijo se aprofundou. Eu coloquei a mão nos cabelos dele e comecei a bagunçá-los e ele passava as mãos nas minhas costas subindo e descendo. Fomos diminuindo o ritmo do beijo até ele finalizá-lo com um selinho.
- Nossa... – Foi a única coisa que eu consegui dizer, ainda estava ofegante.
- HÁ, EU SABIA! – Ouvimos uma voz conhecida gritando da entrada do beco. – Não disse que eles estariam aqui?
- Danny, o que você está fazendo? – Dougie perguntou irado para o Danny. Logo apareceu a turma toda atrás dele. – Pessoal? Ah que saco, vão caçar a turma de vocês.
- Dougie, acabamos de achá-la – Tom disse rindo e eu ri também, só Dougie ficou com a cara amarrada.
- Calma amor, deixa ele, ainda nos vingaremos! – Eu disse lançando um olhar sapeca para todos e levantei a sobrancelha esquerda.
- Aimeldels, o olhar vingativo da Susan! – Maira disse fingindo medo. Antes que alguém dissesse mais alguma coisa ouvimos o sinal bater.
- É melhor irmos – Tom nerd como sempre disse.
- É, vamos! – Dougie disse ainda enfezado, eu vi o olhar mortal que ele mandou para o Danny que não entendeu porque.
Quando chegávamos na sala de aula eis que surge na nossa frente Paola toda sorridente.
- Bom dia! – Ela quase cantou, eu olhei para ela com cara de poucos amigos.
- Bom dia – Dougie disse seco passando por ela e me puxando junto. Ele ainda estava emburrado. Só deu tempo de ouvir ela perguntando o que houve.
- Nossa, ainda bem que eu não tive que falar com a Paola, sei lá, ela não parece confiável... – eu disse pensativa enquanto me sentava.
- Acho que é porque ela é prima do Thiago – Dougie disse dando de ombros. – Devem ser da mesma laia!
Ele gargalhou maleficamente e eu o cutuquei porque o professor já tinha entrado. Na verdade era um professor novo, não o conhecia.
- Bom dia classe, sou o novo o Clark, novo professor de Química, a professora Anna se aposentou – Todas as meninas babavam nele “mas pondera, que professor lindo que era esse Clark, meldels”. Eu só não estava igual porque tinha o Dougie do meu lado.
Os garotos da sala ficaram olhando para as garotas com cara de poucos amigos. Mas imaginem um professor, alto de olhos verde meio acinzentado, cabelos loiros com um corte meio bagunçado e arrepiado para cima com um corpo de deus grego.
- Sou mais você amor! – Cochichei para o Dougie dando um beijo no rosto dele.
- Que bom que você acha isso, senão teria que fazer algo com ele para poder ter você só para mim – Ele disse arriscando me dar um selinho na sala.
- Embora ele lembre o Tio John Bom Jovi – Gargalhei com a última frase.
- Nem vou falar nada! – Ele disse rindo também.
O professor começou a dar a aula dele e eu a reparar nas garotas babando por ele e a zoá-las com junto com o Dougie.
O resto do dia foi normal, saí com as amigas e o Dougie e ficamos o dia todo na rua, só a Lara que estava chata foi para casa. De noite Dougie ficou na minha casa até tarde, ele foi embora porque a mãe dele ligou atrás. Eu tinha falado com minha mãe e ela disse que mudaríamos no outro dia e eu não iria para a escola para ajudar na mudança, então Dougie quis aproveitar o tempo que iríamos perder.