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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Capítulo 33

- Professora, posso ir no banheiro? – Perguntei levantando a mão.
- Agora? Mas acabou de começar a aula, você deve agüentar mais um pouco! – A chata da professora de história me disse e tentou voltar a dar a aula chata dela. Eu me levantei e saí, ela começou a falar umas coisas que eu ignorei. Fui cruzar o pátio, mas fui impedida por um par de mãos fortes que me puxaram para virar.
- Suh, aonde você vai com tanta pressa? – Thiago perguntou um tanto estranho.
- A professora me pediu para falar com a diretora, dá licença! – Eu disse ríspida e tentando me soltar dos braços dele, que não consegui fazer.
- Espera, preciso te falar uma coisa... – Ele disse me olhando fundo nos olhos como um pedido mudo, quase implorando.
- Thiago, eu estou com pressa! – Eu disse me soltando e quase correndo para o lugar onde estavam os guys.

Cheguei na cantina e encontrei os garotos sentados em uma das mesas encarando uns aos outros em silêncio. Eles pareciam alheios ao que acontecia ao seu redor.
- Gente? – Cheguei por trás de Tom que levou um susto.
- Suh... – Tom disse triste e um tanto relutante. Senti que ele não esperava me ver, ou não queria ter que fazê-lo tão cedo.
- Cadê o Dougie? – Perguntei tentando não parecer ansiosa.
Eles ficaram em silêncio, me afligindo mais do que já estava.
- Falem! – Eu disse agora com um tom mais grave, tentando impor na voz que eu eles teriam que me contar, eu não ia desistir.
- Suh, senta primeiro! – Harry disse por fim.
Eu olhei desconfiada para ele, mas percebi que eles só me contariam se eu o obedecesse, então eu o fiz.
- Bom, aquele dia que ele ficou até tarde na sua casa... – Danny começou a dizer, mas não conseguiu terminar de falar e abaixou a cabeça, sua voz estava sofrida, era estranho ver ele daquele jeito, uma vez que seu humor parecia nunca ter fim.
- O que tem aquele dia? – Eu perguntei agoniada já. – Me falem de uma vez caramba!
- Aquela noite, ele estava voltando para casa, quando foi passar na frente de uma garagem um carro o acertou em cheio, ele está no hospital em coma... – Tom disse aquilo, sua voz estava ficando cada vez mais baixa, ele quase não conseguiu terminar a ultima frase. Eu senti que mundo desabava sobre minha cabeça, a minha visão ficou turva, rapidamente meu rosto esquentou e logo em seguida grossas lágrimas lavaram meu rosto.
- Por... Porque.. Porque vocês só... Foram... Me dizer isso... Agora? – Eu perguntei entre soluços, não estava conseguindo nem respirar direito.
- Nós... – Tom começou a tentar se explicar, mas não conseguiu. Deitei a cabeça sobre meu ante-braço sobre a mesa, não conseguiria suportar aquilo, meu Dougie numa maca de hospital todo machucado e inconsciente. Senti um abraço de lado e me ergui da mesa abraçando Danny que também chorava. Ele e Dougie eram bem próximos, dava para perceber.
- Eu quero vê-lo – Eu disse alguns minutos depois, me soltando do abraço de Danny. Eu ainda chorava, mas minha respiração tinha voltado ao normal.
- Suh, isso é com a Tia Sam, ela não queria nem que você soubesse... – Harry disse relutante.
- E onde ela está? – Perguntei com um nó na garganta e olhando para os lados para ver se a encontrava, em vão.
- Está na sala da diretora falando com ela – Tom respondeu.
- Eu vou lá... – Disse me levantando, mas Harry me segurou.
- Não Susan, espera, elas vão é te mandar para a sala de aula se invadir lá desse jeito – ele disse preocupado e eu me sentei derrotada.
- Você tem razão – coloquei os pés no bando e apoiei a cabeça nos joelhos e comecei a chorar mais, em pensar em Dougie, deitado em uma cama de hospital, inconsciente...
- Calma Suh, o estado dele não é tão ruim... – Tom disse tentando me acalmar.
- Se não é tão ruim, porque ele está desacordado Tom? – Eu disse inconformada, ele apenas me abraçou.
- O que houve gente? Porque a Suh está chorando assim? – Ouvi Maira perguntar e logo em seguida os braços dela me puxar de Tom e me abraçar apertado. Eu comecei a soluçar de novo.
- O Dougie está no hospital em coma – Harry respondeu as perguntas dela, que me abraçou mais forte e eu pude sentir que o seu coração acelerou quando soube da noticia. Mas quem não ficaria nervoso com isso?
- Calma Suh... Vai ficar tudo bem... – Ela disse baixinho no meu ouvido.
- Como você sabe? – Eu sussurrei, pois não conseguia nem falar direito.
- Porque sempre dá tudo certo no final! – Ela me disse e eu senti meu coração apertar mais.
- É, assim que as coisas são – Tom disse pousando as mãos nas minhas costas.
- Mas eu quero vê-lo – insisti com a voz manhosa.
- Daqui a pouco veremos sobre isso, também quero vê-lo! – Tom disse sério.
Ficamos sentados nos olhando sem dizer nada por um tempo, não muito longo, mas que para mim pareceu uma eternidade, até ouvir vozes vindas do pátio e estava vindo na nossa direção.
- Será a Tia Sam? – Perguntei levantando a cabeça e olhando para a direção do barulho esperançosa, mas nunca que seria ela, rindo e falando alto daquele jeito com o filho dela no hospital.
- Paola – eu disse nada animada. No mínimo ela foi matar aula lá em cima com uma menina.
- Gente, o que houve? – Ela perguntou alarmada pelas nossas caras. Não deu tempo de respondermos, Tia Sam surgiu no refeitório, acompanhada da diretora, que ficou olhando para nós quatro, que deveríamos estar em sala, mas estávamos ali.
- Garotas, porque estão aqui em cima? – Ela começou a falar e eu revirei os olhos impaciente e me levantei, indo na direção da mãe de Dougie. Só de pensar em falar as lágrimas já começaram a escorrer pelo meu rosto.
- Tia, eu preciso ver o Dougie... – Minha voz era um sussurro por conta do nó que se forma na minha garganta por causa do choro.
- Suh... – Ela disse relutante. – Ele não pode receber visitas...
Eu comecei a chorar mais, minhas pernas fraquejaram e eu me sentei no chão. Ela se abaixou na minha frente e me ajudou a levantar, me levando para o banco.
- Mas não posso nem ficar olhando para ele por aquele vidro que tem naqueles hospitais? – Eu disse com dificuldade.
- Não lhe faria bem, querida – ela olhava fundo nos meus olhos e eu pude ver que ela sofria tanto, quanto mais, que eu.
- Eu... Preciso vê-lo... – Eu repeti, desviando do olhar dela, mais para mim mesma do que para as pessoas ouvirem. – Onde ele está internado?
Tia Sam não iria me falar, eu percebi pelo olhar dela. Ela não era idiota, sabia o que eu iria fazer, mas eu não era de desistir fácil.
- Tudo bem, já que não vai me falar eu vou sair de hospital em hospital até achar! – Eu disse firmemente, quando fui me levantar ela segurou meu braço.
- Eu te levo – ela se deu por vencida.
- Diretora? – Ela se aproximou da mulher mais velha que conversava com Maira, Paola e a outra garota que eu não sabia quem era, embora já a tivesse visto pela escola.
- Sim, senhora Poynter? – Ela se virou para Tia Sam.
- Será que você me liberaria a Susan por hoje das aulas? – Ela perguntou cautelosa.
- Só com a permissão de um responsável dela – a diretora respondeu com uma voz de profissional e me olhou em seguida, ela pareceu se abalar um pouco com o meu olhar mudo e desesperado de que precisava muito ir. – Desculpa, são as normas da escola.
Não haveria problemas com minha mãe, mas eu ia perder muito tempo ligando para ela.
- Vou ligar para minha mãe! – Eu disse tirando o celular do bolso.
- Eu quero ir com vocês, para dar apoio para a Susan! – Maira se impôs.
- Não Mai, é melhor você ficar, as meninas devem estar preocupadas... – Eu disse enquanto minha mãe não atendia o telefone. – Por falar nisso, como você saiu na aula da professora de história?
- Longa história, mas é melhor eu voltar antes que ela vem atrás de mim com uma bazuca! – Ela disse já descendo para o pátio. Em outra ocasião eu riria com a piada dela. Me virei e me afastei, passando pelo portão que dava para a quadra de esportes da escola.

- Alô? Mãe? – Eu fiz a melhor voz que pude para parecer bem quando ela atendeu, mas mãe é mãe.
- Filha, tudo bem? Aconteceu alguma coisa? – Ela começou a perguntar me corujando como sempre.
- Sim... – Eu respirei fundo, não sei porque disse sim, acho que reflexo. – Não mãe, na verdade não está nada bem...
Comecei a chorar de novo.
- O que aconteceu Susan, porque você está chorando? – Ela perguntou alarmada, mais preocupada do que já estava. – Quer que eu vá te buscar?
- Não mãe... Eu preciso que você me libere da escola por hoje com a diretora... – Disse entre as lágrimas.
- Mas porquê? Filha, vou ir te buscar agora! – Ela disse e eu ouvi um barulho estridente, ela deveria ter derrubado algo.
- O Dougie mãe... – Não consegui continuar.
- O que tem ele? O que ele te fez? – Ela perguntou agora com um tom de voz mais grave que eu conhecia muito bem.
- Não mãe, não é nada do que você está pensando... – Eu disse e respirei fundo recuperando o ar. – Ele está no hospital...
- Oh meu Deus Suh, por quê? – É do instinto de todo mundo perguntar isso, mas eu não queria responder.
- Mãe, quando eu chegar em casa te respondo, mas por favor... Me libera aqui da escola para eu poder vê-lo... – Senti que começaria a chorar de novo, mas respirei fundo e engoli o choro.
- Claro minha filha, vou desligar e ligar para a diretoria, te amo! – Ela disse e eu respondi com outro “te amo” quase inaudível.


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Capítulo 32

De noite eu estava sentada na minha cama olhando o nada e lembrando da tarde que passei com minhas amigas e meu pai. Foi realmente muito boa e relaxante. O que eu estranhei foi que Dougie não me ligou nem uma vez durante a tarde e eu estava com mau pressentimento, mas eu evitei pensar nisso. Acho que era ainda receio do sonho que eu tive um tempo atrás. Me deitei e liguei a TV que tinha no quarto, coloquei na MTV e passava um programa de comédia onde algumas pessoas faziam pegadinhas com outras. Eu comecei a rir loucamente das caras que as pessoas faziam. Perdi a noção do tempo e acabei cochilando com a janela aberta e a TV ligada.

- Suh? – Ouvi uma voz me chamar, achei que era alguma espécie de sonho, mas quando abri meus olhos vi uma silhueta em cima de mim, eu me sentei na hora e estremeci de frio, eu não tinha nem me coberto, mas ignorei esse fato encarando a pessoa que me olhava com um sorriso tímido no rosto.
- Dougie? – Minha voz falhou devido o fato de eu ter acabado de acordar. – O que você faz aqui uma hora dessas?
- Eu não agüentei de saudade e resolvi vir te visitar... – Ele disse sorrindo e fazendo carinho no meu rosto com o polegar.
- Mas é tarde da noite, como você entrou? – Eu perguntei ainda confusa. Meu coração estava a mil.
- Dei um jeito, queria muito te ver e dizer que te amo e que não é para você se esquecer disso – ele sorriu de lado o que fez meu coração se acelerar, mas agora era de vertigem, ele não pode sorrir perto de mim assim, quando eu acabo de acordar, só se quiser me matar, eu sorri também e o abracei.
- Senti saudades também, porque você não me ligou? – Foi estranho aquele abraço, ele estava lá e não estava. Ele ia me responder, mas ouvi um baque do outro lado da porta e olhei para a mesma me afastando dele, quando olhei na minha frente Dougie tinha sumido. Eu fiquei sem entender nada. Olhei para os lado para ver se ele estava no quarto ainda, mas só vi o quarto vazio e a janela aberta. Fiz que ia me levantar mas não consegui. A porta se abriu...

Eu acordei suando e a garganta trancada. Olhei para a janela e a mesma se encontrava aberta, e logo percebi a porta aberta. Era minha mãe, ela entrou bem devagar, acho que ela pensou que eu ainda dormia, e desligou a TV. Quando ela ia saindo eu a chamei.
- Mãe?
- Suh? Te acordei? – Ela perguntou um pouco culpada.
- Não, eu estava acordada desde antes da senhora entrar – eu disse me sentando na cama. – Veio alguém aqui me ver?
- Não querida, porque? – Ela disse se sentando na beira da minha cama.
- Nada, é que... Deixa pra lá... – Respirei fundo me levantando da cama.
- Tenta dormir de novo, é 1h P.M. ainda! – Minha mãe disse se levantando.
- Vou beber uma água – eu disse acompanhando ela até embaixo. Bebi minha água e subi, deitei na cama e liguei de novo a TV e acabei dormindo com ela ligada novamente. Mas dessa vez eu não tive pesadelo, nem nenhum outro tipo de sonho.

- SUH – Ouvi Lara gritar no meu ouvido quando cheguei na escola. – Nunca vou me acostumar com essa história de você não vir mais com a gente para escola!
Ela fez biquinho e eu ri dela, Maira, que estava ao seu lado, também riu.
- Ora, e eu então? Vou ter que vir todo dia com o chato do Marcelo, não reclama! – Eu disse cruzando os braços um pouco revoltada por isso, mas eu ainda sorria.
- E aí, como foi a primeira noite na casa nova? – Maira me perguntou mudando de assunto.
- Um horror! – Respondi lembrando do pesadelo.
- Nossa, que houve? – Lara perguntou achando estranho o modo como eu falei.
- Tive um pesadelo, sei lá. Algo do tipo... – Eu respondi não tendo certeza do que dizia, afinal, foi um pesadelo ou só um sonho estranho por Dougie ter sumido?
- Como assim? – Maira perguntou confusa. Quando fui responder fui interrompida.
- Oi gente linda! – Uma Priscilla chega toda sorridente, felicidade que logo passou a ver minha cara de enterro. – Nossa, o que está acontecendo?
- Depois a gente fala disso, pode ser? – Eu disse impaciente.
- Tudo bem então – Lara concordou fazendo bico, de novo, mas não me importei, em um lugar público como a escola sempre existe urubus que podem sair espalhando por ai coisas sobre a gente por ter ouvido o trecho de uma conversa em que não tem nada haver com o que essa pessoa interpreta.
- Então, porque essa animação toda dude? – Perguntei para Priscilla e lembrando do Dougie ao dizer a palavra que ele ama dizer, “dude”.
- Nada, só acordei feliz! – Ela disse abrindo um sorriso.
- Que bom Pri! – Lara respondeu se jogando na garota e quase levando as duas para o chão.
- Hey, calma aí Lah, eu não quer cair aqui no meio do pátio! – Priscilla reclamou me fazendo rir também e esquecer um pouco a aflição a qual eu me encontrava.
- Gente, vocês viram algum dos garotos por aí? – Maira perguntou tirando as palavras da minha boca.
- Não, eu não vejo eles desde ontem na hora do intervalo... – Lara respondeu.
- Estranho, ontem eles mal falaram conosco e o Dougie nem veio... O que será que aconteceu? – Priscilla entrou na conversa e com essas palavras dela minha angústia aumentou. Eu devo ter ficado com uma cara de que tinha visto algum fantasma porque elas me olharam assustadas.
- Suh, você está bem? – Ouvi Maira perguntar, eu balancei a cabeça positivamente.
- Não, você não está bem, ficou branca de uma hora para outra – Priscilla disse com um tom firme na voz. Ela estava certa, eu sabia que algo tinha acontecido, acho que por isso que eu tive um sonho tão real com Dougie, a ultima vez que isso aconteceu foi quando minha avó morreu. Eu sonhei com ela vindo me falar que sempre estaria comigo e que era para mim cuidar da minha mãe e que era para mim ser forte, na hora não soube o que ela quis dizer no sonho, mas de manhã eu soube. Vou falar que tenho medo disso e queria achar que fosse só uma coincidência, mas minha mente se recusava a aceitar isso.
- Lembram do sonho, pesadelo, tanto faz, que eu falei que tive essa noite? – elas afirmaram. – Então, eu sonhei com o Dougie, ele veio no sonho me dizer que me ama muito e que não era para mim esquecer disso... Foi tão real... – Eu disse e meus olhos começaram a lacrimejar. As garotas sabem como eu tenho medo de sonhos assim, elas olharam entre si e se sentaram ao meu lado ao mesmo tempo que bateu o sino. Nos levantamos e fomos para a sala. Eu não queria ir e me sentar ao lado de um banco vazio. Dougie não iria para a escola, eu sabia, mas me recusava a aceitar. Só queria poder ligar para ele e ter certeza de que ele estava bem, e eu faria isso no intervalo. Eu nem sei porque não liguei para ele ontem mesmo. Sou uma burra. Porque ele que tem que ligar? Estamos no século XXI, não preciso mais esperar ele ligar.
Me sentei no meu lugar com o coração apertado. A professora de Geografia começou a dar a aula dela e todos estavam até quietos. Parecia que tinha séculos que ela estava lá falando, mas tinha se passado só quinze minutos. Eu percebi uma movimentação fora da sala e direcionei minha atenção para lá. Era a diretora acompanhada de uma mulher que eu não via o rosto, mas me era conhecida. Fiquei reparando nelas e nem percebi que vinham umas pessoas atrás delas, quando os vi meu coração bateu forte. Estavam Harry, Danny e Tom caminhando no pátio atrás das duas e um segundo depois eu vi que era a mãe de Dougie. Não ia conseguir ficar lá na sala sentada, precisava falar com os garotos, onde estava Dougie afinal? Vi que eles subiram para o refeitórios e eles estavam sérios, coisa que eu nunca tinha visto.


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Capítulo 31

Acordei cedo com minha mãe batendo na porta, implorei tanto para ela me deixar ir para a escola, mas ela não deixou. Comecei a encaixotar minhas coisas, eu pegava cada coisa com tanto carinho que parecia que era hiper sensível ao toque, cada coisa que eu tinha no meu quarto era especial e tinha um valor sentimental.

Meus móveis que eu tinha desde que me entendo por gente não iriam comigo, nem minha maca iria para a casa nova. Aquilo me deixou mais para baixo ainda. Eu não iria apenas mudar de casa, eu ia abandonar o meu passado.

- Vamos Susan, você é muito enrolada! – Marcelo me gritou do carro onde ele e minha mãe estavam me esperando enquanto eu olhava a pequena casa a qual eu vivi a minha vida toda, eu tinha lágrimas nos olhos e segurava um urso de pelúcia, daria tudo por um abraço de algum dos meus amigos.
- Estou indo! – Eu disse limpando a lágrima fujona que escapou e virando para entrar no carro. Meu coração estava apertado, não gosto muito de mudanças.
- Não fique assim Suh, só vamos mudar de casa, nada vai mudar! – Minha mãe acariciou meu cabelo quando eu me sentei no banco de trás e encostei nos bancos da frente os braços e deitei a cabeça nos mesmos.
- Eu sei, mas eu quero chorar! – Eu disse com a voz manhosa e ouvi Marcelo bufar do meu lado.
- Tudo bem, então chore, isso lhe fará bem, afinal, foram tantas novidades assim de uma hora para outra! – Ela disse com voz de mãe coruja.
- Obrigada mãe! – Respondi com a voz embargada pelo choro, porque ela tinha que ser tão fofa?
Fui quieta até a nova casa, não demorou muito mais que 10 minutos, mas para mim pareceu uma eternidade. Ela ficava num bairro onde as casas todas tinham piscinas ou quadras no fundo, ou seja, das famílias classe-média alta da cidade. Também era o bairro onde mora o Thiago!
Marcelo parou o carro na frente de uma casa enorme e branca, com um jardim lindo e com uma fonte no meio. A casa era de três andares e as janelas eram de vidros assim como a lateral porta de madeira trabalhada em flores. Havia um caminho que ia do portão pequeno até a pequena escada que antecipa o hall da porta. Marcelo deixou minha mãe e eu na frente do pequeno portão e entrou com o carro pelo portão da garagem. Caminhamos até a porta e quando ela abriu meu queixo caiu. Era praticamente uma mansão! A primeira coisa que eu vi foi o grande lustre e a escada que subia de dois lados, havia também do lado direito uma sala onde deveria ser a sala de estar e do lado esquerdo uma mesa que deveria ser aonde comeríamos, adentrando a casa eu pude ver além da sala de estar a sala de TV. Nesse momento eu já tinha esquecido da casa antiga, subi correndo as escadas do lado direito e cheguei num espaço onde eu entrei e encontrei dois corredores e uma outra escada que eu ignorei, queria achar meu quarto, o da direita havia três portas e o da esquerda cinco. Deduzi que o meu quarto ficava na esquerda, já que o Marcelo havia falado que havia quarto para as minhas amigas nessa casa. Entrei no corredor, mas antes de ir muito longe ouvi passos atrás de mim e me virei.
- Procurando seu quarto Suh? – Minha mãe perguntou sorridente e vindo até mim.
- Sim, qual é? – Eu perguntei toda animada.
- É o do fim do corredor! – Ela disse e eu saí andando, quase correndo e o abri.
Meu queixo furou o chão quando eu abri a porta. O quarto era todo trabalhado branco e vermelho, os móveis, as cortinas e a colcha da cama.
- Nossa mãe, esse quarto é lindo! – Eu disse admirada.
- Eu sabia que você iria gostar! – Ela disse com um tom de orgulho na voz. – Agora o Marcelo está trazendo suas coisas, arrume e mais tarde eu deixo você sair!
Ela não me deixou nem admirar o quarto direito e já me deu coisas para fazer, revirei os olhos e em seguida o chato entrou no quarto com minha uma caixa enorme na mão, a caixa onde estavam meus enfeites que estavam sobre a minha antiga cômoda, eu a abri e comecei a arrumar quando os dois saíram do quarto me deixando sozinha, o que aconteceu apenas por alguns poucos minutos porque logo eles apareceram trazendo outras caixas e minhas malas. Eu apenas sorria amarelo e votava a atenção para o que fazia. Era 15:30PM e eu sozinha, só ouvindo música no mp4, ninguém havia me ligado nem nada e eu ainda estava enrolada arrumando meus livros na prateleira. Aquilo iria até tarde e não daria tempo de sair, até vontade de chorar eu estava.
Chegou uma hora que eu fiquei com raiva e joguei as coisas no chão, queria ver o Dougie e não poderia porque teria que arrumar aquilo, eu estranhei ele não me ligar. Bufei e fui em direção a porta do quarto para descer e comer alguma coisa e beber água, já que eu não havia descido para almoçar, achando que iria comer alguma coisa na rua. Quando abri a porta quase caí para trás.
- O que vocês fazem aqui? – Eu perguntei com um sorriso bobo na cara.
- Viemos te ajudar, tenho certeza que você estava querendo quebrar tudo por não termos dado sinal de vida! – Maira disse me abraçando.
- Tem razão Mai, olha os livros jogados – Priscilla disse entrando no quarto e catando um livro do chão.
- Suh, temos uma surpresa para você! – Lara disse com um sorriso sapeca no rosto.
- Ah o que é? – Perguntei curiosa e querendo sair parar fora do quarto, mas Maira e Priscilla me puxaram para trás.
- Nananinanão, volta aqui!
- Ah me deixa ir ver Maira! – Eu falava com voz birrenta.
- Não, e não vamos te mostrar enquanto não parar de querer ver o que é! – Eu não desisti até me dar por vencida, então parei e cruzei os braços fazendo um bico.
- Tá, nem quero mai saber o que é! – Eu disse pegando um livro do chão e segundos depois eu ouvi a porta abrir.
- Não quer mesmo? – Eu sorri antes de virar ao reconhecer a voz de quem havia entrado no quarto.
- PAI – Eu gritei e corri para abraçá-lo.
- Filha, como você está? – Ele perguntou depois que me colocou no chão.
- Estou bem, tirando o fato de que fiquei isolada em casa o dia todo arrumando o quarto – eu disse e ele olhou o quarto todo.
- É, está bem arrumado, tirando o fato desses livros jogados no chão! – Ele disse sorrindo.
- Ahn... É que eu deixei cair sem querer... – Menti e lancei um olhar para as garotas que seguraram o riso. Afinal porque eu menti?
- Hum, sei – Acho que ele não acreditou muito em mim, mas tanto faz. – Quer ajuda?
- Seria ótimo – eu disse sorrindo.
- E rápido! – Ele disse se abaixando para pegar os livros.
- E vocês? Vai só ficar olhando a gente trabalhar? – Eu disse cerrando os olhos para as garotas sentadas na cama conversando sobre algo que eu não sabia o que era.
- Hum, acho que sim, é bem mais fácil! – Priscilla disse rindo.
- Pois eu vou ajudar minha amiga linda – Maira disse com uma voz de puxa saco e se abaixando ao meu lado.
- Ah se é assim eu também vou! – Lara disse e Priscilla ficou olhando os quatro arrumar a estante.
- Ah para de ser orgulhosa Priscilla, sei que você que quer nos ajudar! – Lara disse para um Priscilla sem graça sentada na cama e fingindo interesse nas unhas. – Veeem!
Ela se juntou a nós e em pouco tempo os livros estavam nos seus devidos lugares.
- Nossa, quando eu estava arrumando sozinha parecia que nunca ia acabar isso! – Eu disse olhando a grande prateleira cheia de livros. Eu adoro ler e minha mãe sempre gostou disso, por isso estava sempre comprando livros novos para mim.
- Bom, está feito! – Meu pai disse sorrindo e se virando para nós. – Quem quer tomar sorvete?
As quatro abriram sorrisos enormes e responderam um “Eu” um pouco animado demais.


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Capítulo 30

Acordei de manhã e muito cansada por ter passado quase a noite toda acordada com Maira, ficamos jogando UNO até quase cairmos de sono. Me espreguicei olhando para o despertador e o desliguei. Meu sistema estava lerdo. Acordei Maira e fui me arrumar, ela foi para um quarto de hóspedes para se arrumar também, emprestei uma roupa para ela já que ela não tinha ido na casa dela buscar. Ela ainda se arrumava quando eu desci para tomar café. Já que a Maira era de casa eu não precisava esperá-la.

- Bom dia mãe! – Eu disse, bocejando, para minha mãe que preparava um café da manhã, eu tinha me adaptado ao novo horário dela. Ela tinha até saído do trabalho dela para se ter uma idéia!
- Bom dia Susan! – Ela quase cantou esse bom dia, de tão feliz que parecia estar.
- Que felicidade é essa? – Perguntei rindo do jeito happiness dela.
- O Marcelo já quer que nos mudemos para a outra casa... – Ela disse deixando um silêncio no ar e se virando para pegar algo na geladeira, mas ainda sorria.
- Quando? – acho que era isso que ela tentava pensar em como me falar.
- Essa semana mesmo – como ela podia sorrir com uma noticia dessas? “Ah é, ela é namorada dele, daqui a pouco esposa!” Eu fiquei quieta, não poderia falar nada para evitar aquilo então preferi o silêncio. – Não vai falar nada?
- Não – eu disse com cara de paisagem mas querendo sair quebrando tudo na casa.
Ainda bem que Maira apareceu antes da minha mãe começar a falar.
- Bom dia tia Cintia! – Lara disse, ela estava toda maquiada e com meu perfume que uso só para sair, fuzilei ela quando percebi isso.
- Bom dia Maira! – Minha mãe respondeu sorridente, aquela felicidade estava me irritando. “Não, não sou insensível, o que me irrita é o porque dela estar feliz, aquilo seria um mártire”. – O que vai querer? Temos torrada com geléia de morango, pão de queijo, frutas...
- Vou comendo uma torrada pelo caminho! – Ela respondeu pegando umas cinco e colocando a mochila nas costas.
- Tudo bem então, boa aula para vocês meninas – minha mãe deu de ombros e veio me dar um beijo. – Suh, não fique com essa cara menina, lá vai ser legal, você vai ver!
- Espero que sim – disse desanimada, “duvido que será bom morar com aquele idiota”.

- Nossa que cara de cú é essa? – Maira me perguntou quando passamos pela porta.
- Minha mãe quer se mudar essa semana – respondi chutando uma pedrinha na minha frente.
- Já? – Ela perguntou exaltada. – Não, não, não, eu adoro aquela sua casa, é tão confortável, sou acostumada com ela, oh não! – Ela falava enquanto comia, eu olhei para ela e comecei a rir.
- Sabe, até sem querer você me faz rir, olha sua situação garota! – Eu disse colocando ela de frente para um carro para se olhar, ela começou a rir também e a limpar a boca que tinha muitos farelos de torrada.
- Ainda bem que eu tenho você, senão iria chegar igual uma mendiga na escola e o Tom nem ia mais querer falar comigo! – Ela disse me dando um abraço que quase me sufocou.
- Ah, então é por causa dele que você usou meu perfume mais favorito e caro? – Me lembrei de brigar com ela por causa disso.
- Haha foi, mas eu sei que você me ama e nem liga, é por uma causa maior – ela disse piscando freneticamente os olhos e sorrindo, foi tão engraçado que quase chorei de rir.
- Sua louca, acho que você não deveria namorar o Tom, deveria namorar o Danny, vocês são iguaiszinhos no quesito caretas – Eu disse e ela me deu um tapa no braço rindo também.
- Mas eu acho que ela não combina com ele! – Lara apareceu atrás de nós, que levamos um susto enos viramos bem rápido e quase caímos.
- Nossa Lara, que susto menina! – Eu disse rindo.
- Vocês nem passaram na minha casa né suas amigas da onça! – Ela disse tentando dar um tapa na cabeça de nós duas que desviamos e ela ficou com cara de tacho enquanto riamos.
- Nossa, nem tinha visto que já tínhamos passado da sua casa – Maira disse.
- Nem eu! – Concordei com ela. – E porque a Maira não combina com o Danny? Nasceram um para o outro!
Eu disse quando continuamos a andar.
- Sei lá, não combina! – Ela disse irritada?
- Está com ciúmes Lara? – Maira perguntou rindo, pareceu que ela leu minha mente.
- Nunca, da onde você tirou isso sua louca? – Lara foi agressiva sem precisar.
- Meu Deus menina, acordou com a macaca? – Perguntei e ela revirou os olhos.
- Ah dá licença Susan! – Ela disse empurrando Maira e eu e saiu andando muito rápido na frente.
- Nossa Lara, só estávamos brincando! – Gritei e ela mostrou o dedo do meio para nós que ficamos com cara de bobas paradas no meio da calçada.
- Cruzes, a TMP dela é pior que a de nós duas juntas! – Maira brincou.
- Não acho que seja TMP – eu disse quando continuamos a andar.
- Então o que é? – Maira fez cara de tonta para mim, revirei os olhos e nem respondi, nem parece que ela é nerd.
- Vem dude, vamos alcançar ela e ver o que é que ela tem – eu disse já correndo e puxando Maira.
- Lara, espera aí... – eu disse quase morrendo quando chegamos perto delas.
- Sei que fizemos uma brincadeira de mau gosto, desculpa! – Maira falou e eu concordei com a cabeça.
- É, desculpa!
- Vocês sabem que eu não suporto o Jones e vem fazer uma piadinha dessas, nossa, que belas amigas, nem preciso de inimigos... – Ela disse parando para nos encarar com um olhar mortal.
- Ah para com isso, fala sério, você só pode estar de TPM né? Porque vamos combinar que isso nunca foi coisa para a gente brigar! – Eu estourei com ela e ela pareceu acalmar.
- Só quero ficar sozinha, por favor! – ela disse voltando a andar.
- Tudo bem, mas fique sozinha na escola porque agora não temos como não ir juntas – Maira falou dando um abraço nela. Respeitando a Lara fomos um pouco atrás dela conversando sobre coisas paralelas.

Quando chegamos na escola os garotos nos esperava no portão, menos o Danny que deveria estar andando pela escola galinhando.
- Bom dia! – Harry disse sorridente.
- Bom dia uma ova! – Lara disse empurrando todo mundo.
- NOSSA! O que deu nessa garota? – Danny disse chegando por trás dos outros.
- Nada, deixa ela – Maira disse abraçando o Tom. – Vamos entrar!
Foram todos na frente, Dougie me esperou para irmos juntos atrás. Peguei na mão dele e fui seguindo o pessoal, mas de repente sinto um baque e Dougie me puxa para outro lado.
- Dougie, mas o quê... – nem deu tempo de terminar a pergunta e ele parou na minha frente fazendo com que eu batesse contra o corpo dele e ele me roubar um selinho voltando a me puxar.
- Shiii... Não fala nada! – Ele disse sorrindo para mim e eu apenas assenti com a cabeça.
Ele me levou para um lugar escondido de todo mundo, um beco.
- Nossa Dougie, eu que estudo aqui faz tempo nunca soube desse lugar – eu disse admirada e ele tinha um sorriso convencido no rosto.
- Uma garota chamou o Danny para ficar aqui com ele e ele veio, depois contou para mim onde era... – Ele fez uma cara engraçada. – Depois de eu ter ameaçado cortar o lindo cabelo dele de noite, claro!
- Hum, e para quê você queria saber onde ficava esse lugar? – Eu disse sorrindo e chegando mais perto dele e ele me abraçou pela cintura.
- Você nem imagina porque? – Ele perguntou chegando o rosto tão perto que eu sentia o hálito de morango dele. Deveria estar mascando algum chiclete.
- Não... – Eu disse sorrindo e fechando os olhos para sentir o cheiro que só ele tem. – Me mostra?
Quando disse isso ele selou nossos lábios, logo eu sedi passagem para língua dele e o beijo se aprofundou. Eu coloquei a mão nos cabelos dele e comecei a bagunçá-los e ele passava as mãos nas minhas costas subindo e descendo. Fomos diminuindo o ritmo do beijo até ele finalizá-lo com um selinho.
- Nossa... – Foi a única coisa que eu consegui dizer, ainda estava ofegante.
- HÁ, EU SABIA! – Ouvimos uma voz conhecida gritando da entrada do beco. – Não disse que eles estariam aqui?
- Danny, o que você está fazendo? – Dougie perguntou irado para o Danny. Logo apareceu a turma toda atrás dele. – Pessoal? Ah que saco, vão caçar a turma de vocês.
- Dougie, acabamos de achá-la – Tom disse rindo e eu ri também, só Dougie ficou com a cara amarrada.
- Calma amor, deixa ele, ainda nos vingaremos! – Eu disse lançando um olhar sapeca para todos e levantei a sobrancelha esquerda.
- Aimeldels, o olhar vingativo da Susan! – Maira disse fingindo medo. Antes que alguém dissesse mais alguma coisa ouvimos o sinal bater.
- É melhor irmos – Tom nerd como sempre disse.
- É, vamos! – Dougie disse ainda enfezado, eu vi o olhar mortal que ele mandou para o Danny que não entendeu porque.
Quando chegávamos na sala de aula eis que surge na nossa frente Paola toda sorridente.
- Bom dia! – Ela quase cantou, eu olhei para ela com cara de poucos amigos.
- Bom dia – Dougie disse seco passando por ela e me puxando junto. Ele ainda estava emburrado. Só deu tempo de ouvir ela perguntando o que houve.
- Nossa, ainda bem que eu não tive que falar com a Paola, sei lá, ela não parece confiável... – eu disse pensativa enquanto me sentava.
- Acho que é porque ela é prima do Thiago – Dougie disse dando de ombros. – Devem ser da mesma laia!
Ele gargalhou maleficamente e eu o cutuquei porque o professor já tinha entrado. Na verdade era um professor novo, não o conhecia.
- Bom dia classe, sou o novo o Clark, novo professor de Química, a professora Anna se aposentou – Todas as meninas babavam nele “mas pondera, que professor lindo que era esse Clark, meldels”. Eu só não estava igual porque tinha o Dougie do meu lado.
Os garotos da sala ficaram olhando para as garotas com cara de poucos amigos. Mas imaginem um professor, alto de olhos verde meio acinzentado, cabelos loiros com um corte meio bagunçado e arrepiado para cima com um corpo de deus grego.
- Sou mais você amor! – Cochichei para o Dougie dando um beijo no rosto dele.
- Que bom que você acha isso, senão teria que fazer algo com ele para poder ter você só para mim – Ele disse arriscando me dar um selinho na sala.
- Embora ele lembre o Tio John Bom Jovi – Gargalhei com a última frase.
- Nem vou falar nada! – Ele disse rindo também.
O professor começou a dar a aula dele e eu a reparar nas garotas babando por ele e a zoá-las com junto com o Dougie.
O resto do dia foi normal, saí com as amigas e o Dougie e ficamos o dia todo na rua, só a Lara que estava chata foi para casa. De noite Dougie ficou na minha casa até tarde, ele foi embora porque a mãe dele ligou atrás. Eu tinha falado com minha mãe e ela disse que mudaríamos no outro dia e eu não iria para a escola para ajudar na mudança, então Dougie quis aproveitar o tempo que iríamos perder.


domingo, 12 de dezembro de 2010

Capítulo 29

Estávamos os cinco jogados no mesmo sofá rindo um em cima do outro quando Tia Sam chegou, a mãe do Dougie, chegou.
- Passou um furacão pela minha sala? – Nós paramos de rir e ficamos todos olhando para ela com cara de assustados olhando para ela.
- Mãe... – Dougie disse tentando segurar a risada depois que o choque da surpresa passou. – Você chegou!
- Não, é meu espírito que está aqui – ela disse rindo em seguida –, e vocês vão arrumar essa bagunça antes de meu corpo chegar!
Achei curioso ela fazer piada daquela situação, lembrou minha mãe.
- Pode deixar tia, eu organizo o mutirão aqui – Tom disse com um tom de voz de liderança.
- Que bom Tom! – Ela disse se dirigindo para a escada – Vou tomar banho, quando descer quero ver essa sala limpa.
- Puxa saco! – Danny disse assim que Tia Sam sumiu escada acima, Tom mostrou língua para o Danny e começou a mandar a gente fazer as coisas. Ele estava me irritando já, estava me segurando para não mandar ele ir se ferrar.
- QUE COISA TOM, PARA DE MANDAR A GENTE FICAR FAZENDO AS COISAS, JÁ ESTAMOS FAZENDO! – Danny berrou antes de mim fazendo todo mundo parar o que fazia.
- VAI TE CATAR DANIEL! – Tom retrucou.
- DÁ PARA PARAR DE GRITAR! – Maira estressada jogou o travesseiro, que ela tinha acabado de colocar no sofá, no chão. Danny correu de perto dela com cara de assustado e Tom se abaixou atrás do sofá, Dougie e eu estávamos perto da porta do cozinha um pouco longe dela e ficamos rindo da cena.
- Nossa, que bando de histéricos! – Dougie cochichou para mim que concordei rindo baixinho.
- Tomem cuidado meninos, a Mai está com o olhar fatality dela... Se possível corram – eu disse rindo mais ainda, Danny acreditou em mim e correu para se esconder atrás de Dougie.
- Danny seu lesado, saí daqui que não gosto de macho atrás de mim! – Dougie disse empurrando Danny – A Suh estava só brincando.
- Que bom... – Ele disse passando a mão a nuca. – Poxa, eu fiquei com medo – ele comentou e todos riram.
Voltamos a arrumar a sala. Ainda estava a maior, tinha pipoca e doce para todo lado, sorte que não tinha nada líquido ali, assim não precisaríamos limpar o chão. Passou um tempinho e de relance eu olhei para o relógio, era 22:48h.
- MAIRA DO CÉU! – Eu gritei e ela jogou a vassoura que segurava no chão.
- O QUE EU FIZ? – Perguntou assustada.
- São quase 23:00h! – Ela que estava tensa relaxou e começou a rir. – MAIRA, SEUS PAIS VÃO TE MATAR E VOCÊ ESTÁ RINDO?
Gritei enfezada com ela.
- Calma, lembra que eu saí do castigo? – Ela pegou novamente a vassoura que tinha deixado cair antes e voltou a varrer os doces e as pipocas.
- Oh é mesmo... Eu esqueci! – Disse relaxando também, como eu poderia ter esquecido aquilo?
- Caduca! – Todo mundo riu de mim.
- Que justificativa você vai dar para eles? Se você falar que estava na casa do seu namorado até uma hora dessas, você fica de castigo para o resto da vida.
- Quem disse que eu vou voltar para casa hoje? – Ela sorriu maliciosa.
- Não entendi – Maira revirou os olhos impaciente diante da minha ignorância.
- Vou ligar para eles e perguntar se posso dormir na sua casa, eles vão deixar e aí eu não vou precisar de desculpas, entendeu? – ela falou com tom de obviedade na voz e se sentou no sofá com o Tom já que tínhamos acabado a arrumação.
- Oh! Bem bolado esse plano amor! – Tom disse dando um selinho nela que abriu um sorriso enorme.
- Obrigada! Sei que sou demais! – Ela disse fazendo cara de esnobe. E eu taquei um travesseiro que vi na cara dela.
- Sua... Safada! – Ela disse tacando o travesseiro de volta em mim e eu o peguei com as duas mãos antes dele me atingir.
- Há! Dessa vez não! – Eu disse orgulhosa de ter pego o travesseiro enquanto ela fez cara de indignada.
- Sem graça! – Danny disse se jogando na poltrona que ele estava antes com um travesseiro na mão. – Achei que ia começar uma nova guerra de travesseiros.
- Mas nem que porcos voem! – Levamos um susto quando Tia Sam apareceu de repente no topo da escada rindo.
- Nossa, da onde a senhora tira essas coisas mãe? Coisa brega! – Dougie disse rindo da expressão de surpresa dela.
- Nem queira saber! – Ela disse descendo até a metade da escada para conversar melhor conosco.
- Sabia que vocês são muito bagunceiros? Fala sério, ouvi suas vozes do banheiro, achei que estavam se matando aqui! – Ela disse rindo.
- Oh, mas agora a sala está arrumada Tia, nem parece que estava de pernas para o ar em menos de meia hora! – Tom disse puxando saco como sempre.
- É mãe! – Dougie confirmou.
- Não quero parecer grossa nem nada, mas... – Ela hesitou um pouco antes de falar. – Não está muito tarde para duas moças andarem sozinhas pela rua? – Ela disse e eu não sabia onde enfiar minha cara. Ela estava certa.
- Está sim mãe, e é por isso que nós vamos levá-las – Dougie disse passando a mão pelas minhas costas e pousando-a no ombro do outro lado me abraçando.
- Se quiserem eu levo vocês – “seria um prazer sogronha!” pensei comigo mesma e tive que me segurar para não rir do meu pensamento imbessíl.
- Não sei, o que vocês acham? – Dougie perguntou olhando para mim e depois para Maira.
Olhei para Maira e ela deu de ombros.
- Pode ser... – disse meio sem graça.
- Bom que assim eu fico sabendo onde minha norinha linda mora! – Tia Sam disse e eu quase saí correndo da sala de tanta vergonha, todos ficaram me olhando com um sorriso idiota na cara. – Vou pegar as chaves do carro... – ela disse dando as costas para nós subindo a escada e voltando para o segundo andar.
- Norinha hein! – Maira me cutucou e eu dei um soco no braço dela.
- Cala a boca! – Eu disse rindo envergonhada.

Tia Sam parava em frente a minha casa quando vi uma pessoa conhecida parada lá.
- Mas será possível? – Dougie disse revirando os olhos.
- O que foi Dougie? – Danny perguntou e ele só apontou para o portão. Paola e Thiago estavam lá na frente falando com minha mãe. Senti um calafrio ao ver aquela cena. – Ah!
Descemos todo do carro, só Danny continuou lá dentro. Dougie segurou minha mão e eu respirei fundo.
- Susan! – Minha mãe me chamou num tom de voz estranho.
- Que foi mãe? – Perguntei tentando adivinhar o que era, mas era impossível saber, eu não tinha feito nada de errado, pelo menos que eu saiba.
- Porque você nunca trouxe esses meninos maravilhosos para mim conhecer? – Ela disse séria e eu fiquei com cara de tacho olhando para ela, o que eu ia falar?
- É que... É que conheci eles faz pouco tempo... – Eu disse meio vagamente
- Mesmo assim! – Ela disse me repreendendo com o olhar. Eu estressei com isso, fala sério, agora todo mundo que eu conheço tenho que apresentar para ela?
- Ah mãe, você nem fazia tanta questão da minha vida antes de engravidar! – Eu disse apertando a mãe de Dougie que gemeu do meu lado, eu olhei para ele e afrouxei a mão.
- Não é bem assim! – Ela disse se virando para entrar para dentro. – Mas isso a gente discute depois quando estivermos sozinhas.
Ela entrou para dentro antes que eu dissesse qualquer coisa. Estavam todos parados olhando o nosso curto debate que é normal para quem convive com nós duas.
- Bom Suh, nós já estávamos de saída! – Paola disse indo me dar um beijo, mas eu não ia deixá-los ir sem nenhuma explicação de o que eles estavam fazendo ali.
- Espera, vocês não queriam falar comigo? – Perguntei e ela parou onde estava.
- É queríamos, mas como você não estava e sua mãe achou que chegaria logo nos chamou para entrar e começamos a falar que até perdemos a noção do tempo – ela disse voltando a se aproximar e me deu um beijo no rosto e na Maira também. quase voei nela quando ela foi dar um beijo no Dougie, Maira também a fuzilou quando foi beijar o Tom, “Hey, que intimidade é essa?” Pelo menos o Jones não estava ali! – Temos que ir agora, amanhã a gente se fala na escola, minha mãe já me ligou para ir para casa.
- Tudo bem... – eu disse e Thiago veio para me dar um beijo também e eu não soube o que fazer, dava um beijo nele ou não? Ah ele veio e me deu dois beijos um em cada bochecha e eu senti a mão de Dougie apertando a minha nesse momento, ele também teve a cara de pau de dar beijinhos na Maira também. “Não sei porque minha mãe tinha que ter me ensinado a ser educada com quem eu não gosto!”.
- Cara entrosado! – Tom resmungou olhando ele abrir a porta do carro para Paola.
- Entrosado é pouco! Aquela Paola também é igual o primo, ah se ela te tocasse eu esgoelava ela! – Maira disse puxando Tom para o portão que riu dela. – Vocês vão querer entrar?
- Não, temos que ir embora, só descemos para protegê-las! – Tom disse, Dougie estava quieto, mas também pondera, um garoto que ele sabe que está dando em cima da namorada dele dá um beijo nela na frente dele! Puxei ele para um lugar meio afastado do outro casal para conversar.
- Doug... – Comecei a dizer e ele lascou um beijo em mim até quase ficarmos sem fôlego.
- Te amo Pequena! – Ele sussurrou no meu ouvido e eu arrepiei da cabeça as pés. “Ele me chamou de pequena, ouw que lindo!” – Não quero te perder... – Ouvi ele dizer depois de alguns segundos de silêncio, os quais eu recuperava a força, minhas pernas tinham bambeado.
- Você nunca vai me perder... – Eu disse dando um selinho nele – Eu também nunca quero te perder.
- Ok, se continuarmos não querendo perder um ao outro nós nos teremos para sempre! – Ele disse filosofando e eu ri puxando ele para o portão, onde Maira e Tom estavam se beijando.
Depois que eles foram embora ficamos olhando eles por trás em silêncio. Senti um aperto no peito vendo ele ir embora, mas ignorei. Levei um susto com Maira me cutucando, rindo e mostrando os garotos que estavam agora um pouco mais longe.
- Ai aquela bunda do Fletcher, que vontade de morder! – eu comecei a rir dela e entrei puxando ela.
- Só você mesmo, mas a do Poynter não é de se jogar fora também... – Eu disse rindo. – Se fosse igual a do Judd seria bem melhor, mas ele é perfeito do jeito que é!
- Verdade, a do Judd é enorme... Sorte da Pri! – Ela disse enquanto entrávamos em casa. – Vou ligar para minha mãe.
- Eu vou subir e arrumar os colchões no chão para farrearmos! – Eu disse sumindo pelo corredor enquanto ela tirava o telefone do gancho.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Capítulo 28

- Minha nossa, como aconteceu coisas desde a última vez que você me contou algo dele – minha mãe disse com um tom de voz querendo parecer magoada.
- Desculpa mãe, é que tudo aconteceu tão rápido – eu disse e ela sorriu para mim.
- Tudo bem – ela respondeu e se levantou. – Agora que está tudo resolvido a grávida aqui precisa ir dormir, com licença.
- Boa noite Cintia! – Meu pai disse.
- Boa noite tia – Maira disse.
- Boa noite mãe... – eu disse enquanto ela saia da cozinha bocejando. De repente eu arregalei os olhos preocupada. - Que horas são?
- 8:30PM – John disse, “vai se difícil eu me acostumar a chamá-lo de pai ok”. Eu relaxei, ainda estava espantada que o  tempo tinha passado tão rápido, eu ia  ter que ir dormir muito tarde porque eu ia ter que pensar mais tarde já que eu queria ir com a Lara visitar o Tom, ele morava com Dougie e eu estava com saudade do meu fofo. – Bom meninas, tenho que ir para casa, ainda está tudo uma bagunça porque as coisas do caminhão que tinha estragado chegou hoje e eu não tive tempo nem paciência para arrumar.
- Tudo bem pai – enfatizei essa palavra – volta aqui amanhã depois da escola para sairmos para dar uma volta por aí e nos conhecer?
- Claro! – Ele respondeu radiante.
- Passa aqui lá pelas 3:30PM que eu tenho certeza que já estarei aqui... – Perguntei e ele negou com a cabeça.
- Não, amanhã eu te pego na escola – Eu abri um sorriso enorme, meu pai indo me buscar na escola, parecia um sonho... “O que foi? Eu nunca tive um homem fazendo o papel de pai na minha vida, isso é emocionante tá!”.
Fui com ele até a sala abraçada de lado de um lado e Maira do outro lado, confesso que fiquei com ciúmes, mas ela pode.
- Até amanhã Suh, tchau de novo Maira! – Ele disse passando pela porta, respondemos e ele fechou a porta indo embora e eu fiz bico, Lara veio e me deu um abraço.
- Maira, você ainda vai na casa do Tom? Seus pais não vão brigar se você chegar quase 10:00PM em casa? – Eu perguntei depois que nos sentamos no sofá.
- Sim, eu vou e Suh... Saí do castigo hoje! – ela disse e eu comecei a dar gritinhos, só não foram muito altos porque minha mãe estava dormindo. Estávamos pulando igual doidas, se nos vissem naquele estado nos levariam para o manicômio, logo paramos o nosso ataque e bateu uma saudade do Dougie.
- Vamos logo para a casa do Tom – eu disse puxando ela para a porta.
- Nem sei porque você está com tanta pressa de irmos lá – ela disse ironicamente e eu ri dela.
- Deixa para resmungar no caminho... – parei de falar quando abri a porta, porque um ser lesado que ia bater na porta bateu no meu nariz.
- Ah desculpa Suh! – Danny disse pulando em cima e mim e alisando meu nariz enquanto Maira ria loucamente atrás de mim.
- Sai daqui Jones... – Eu disse empurrando ele para trás, menino retardado. – Tadinha da porta, dói tanto uns socos desses... Danny, você não viu que tem campainha aqui não? – eu disse mostrando o botão para ele que riu sem graça.
- Não vi não... – ele coçou a nuca olhando pro chão.
- Na verdade, o que você veio fazer aqui sozinho? – Perguntei rindo da cara de culpado que ele estava.
- É que eu fui dar uma volta com a Paola pela pista, aí o primo dela apareceu e ofereceu carona e ela foi embora com ele, aí eu estava voltando para casa e resolvi passar aqui antes – ele nos lançou um sorriso amarelo depois que acabou de falar.
- E a Lara Danny? Já esqueceu ela? – Maira perguntou rindo e ele mostrou língua pra ela.
- E você e o Tom? – Ele perguntou querendo rebater à altura, no mínimo não tinha visto o garoto depois do ocorrido na praça.
- Estamos bem, obrigada! – Ela respondeu e ele ficou com uma cara de bobo.
- Vocês se acertaram? – Ele finalmente caiu em si.
- Aham! – Maira respondeu.
- Hum que bom... – eu disse virando Danny pelos ombros e empurrando para o portão. – Estávamos mesmo indo para sua casa ver o Tom e o Dougie.
- Mas não vai nem me chamar para entrar na sua casa? – Ele resmungou tentando resistir aos meus empurrões.
- Danny-se – eu disse brincando com o nome dele e ele não entendeu, “ok, dá um desconto que ele não pegou todas as gírias brasileiras ainda”.
- Explica melhor? To boiando... - - Ele disse coçando a nunca e olhando para o chão de novo.
- Deixa para lá, vamos embora! – Maira disse rindo dele.
Fomos a pé à casa dos garotos, falando bobeiras rindo e pagando mico.

Chegamos rindo muito de mim que quase caí do meio fio e molhei tudo a barra da minha calça quando fui inventar de me equilibrar igual fazia quando saía para passear com minha mãe.
- O que vocês estão fazendo andando com esse pateta? – Ouvi uma voz conhecida vindo da cozinha, me virei e vi Dougie com um saco de pipoca de microondas numa mãe e um saco de doces na outra. Ele se aproximou e me deu um selinho. – O que aconteceu com seu nariz Suh?
Dougie estava com uma cara de espanto e entregou o que segurava para o Tom que estava sentado no sofá com Maira vendo alguma coisa na TV.
- O Danny que foi bater na porta da minha casa e eu a abri bem na hora e ele bateu no meu nariz – eu disse rindo ao lembrar do que aconteceu.
- Danny, você é um monstro lesado, não viu que na casa dela tem campainha? – Ele franziu o cenho – E o portão? Danny, como você passou pelo portão? – até aquele momento eu não tinha pensado nisso, como ele tinha entrado na minha casa sendo que para abrir o portão por fora é só com a chave?
- Ah o portão estava aberto e eu entrei... – ele deu de ombros como se aquilo fosse natural.
- Que estranho, fui a última a entrar e posso jurar que fechei o portão! – Maira que estava no maior Love com o Tom disse. Eu fiquei pensando por alguns segundos e de repente me veio à luz!
- É, fomos as últimas a entrar, mas não a sair... – eu disse erguendo uma sobrancelha e ela ficou pensando.
- Ah é, o Marcelo e o John saíram de lá depois que entramos! – Vi os olhos de Tom e Dougie se revezarem entre Maira e eu.
- Quem são esses? – Maxilares duros, oi! Tom perguntou frio.
- Está com ciuminhos Thomas? – Maira provocou, ele não respondeu.
Dougie agora olhava sério para o nada, quando nossos olhares se cruzaram eu gelei por dentro, o azul dos olhos dele estavam escuros, quase verdes. “Será ciúmes? Oh God!”.
- Calma gente, não é nada disse que vocês estão pensando, deixa eu explicar... – Disse essa frase de propósito, já disse que adoro fazer piada de tudo?
- Se ferrou Suh, você disse a frase dos culpados! – Danny disse e Tom e Dougie lançaram olhares mortais para ele.
- Cuida da tua vida Daniel! – Tom falou tão bravo que se sentou em uma poltrona sem graça, pelo menos ele entendeu dessa vez.
Eu ainda estava em pé com o Dougie por trás dos sofás, ele estava segurando em cima do sofá e os dos seus dedos estavam brancos, então parei de brincar.
- Marcelo é o namorado, ou noivo, da minha mãe... E o John... Bom, ele é meu – eu não queria falar ainda para eles, mas foi o jeito. – Pai!
Eles relaxaram, e em suas faces aparentavam arrependimento.
- Vocês são tão dramáticos! – Maira disse rindo deles.
- É, mas analisa a nossa situação, nossas namoradas falando de caras que nem conhecemos e não querem que nós tenhamos ciúmes? – Dougie reclamou fazendo bico, eu fui até ele e dei um selinho.
- Tudo bem meu amor, eu te entendo – disse puxando ele pela mão até o sofá, ele sentou e eu deitei no sofá com a cabeça no colo dele, demorei alguns segundo para olhar para a TV porque fiquei observando ele do queixo pra Cida de um ângulo diferente, ele era lindo de qualquer jeito mesmo!
Passava uma cena estranha, um homem de cabelo branco de penteado esquisito estava apavorado na torre de uma igreja tentando pegar um fio para conectar em algo que estava na sua mão enquanto um garoto acelerava um carro estranho e com uma espécie de antena atrás, tipo aquelas de carrinho de bate-bate dos parques de diversão no fim de uma rua deserta.
- Que filme é esse? Parece ser tão antigo! – Perguntei curiosa, tinha a impressão de já ter visto o filme, mas não lembrava de nada.
- De Volta Para o Futuro I – Tom respondeu enfiando uma pipoca na boca.
- O Tom adora tanto esse filme que ele me disse que se fosse mulher ele ia casar com o Michael J. Fox – Danny disse e eu só vi um travesseiro voando.
- Cala a boca Jones, nunca disse isso! – Tom falou enquanto Danny ria na maneira retardada dele.
- Falou sim – Dougie disse e Tom jogou um travesseiro nele também que pegou em mim, eu peguei o travesseiro e taquei de volta, só que acertou Maira, que tacou em mim que já estava em pé e desviei e pegou em Dougie. Começamos uma guerra de travesseiro com dois travesseiros somente.